Centro de tratamento para autismo integra jiu-jítsu e fisioterapia

Ex-atleta Alycia Reis e o filho Arthur, uma criança neuroatípica com autismo nível 2

Hoje, 2 de abril, é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, condição que afeta 4.249 pessoas em Salvador, 70% são meninos (maioria com idade até 17 anos), de acordo com o Censo da Pessoa com Autismo. Inaugurado em 2024, o Jiu Jitea é primeiro centro baiano especializado no tratamento de jovens no espectro autista, que combina fisioterapia com práticas do jiu-jítsu.

A iniciativa é da ex-atleta multicampeã desse esporte, Alycia Reis. A proposta do espaço é promover o bem-estar e o desenvolvimento integral desses jovens, oferecendo experiência terapêutica integrativa e personalizada no bairro de Stella Maris.

Alycia começou sua jornada lidando com pessoas neuroatípicas dentro do próprio lar, pois seu irmão Arthur, já morto, era portador dessa condição e enfrentava crises psicóticas. Sua mãe a matriculou no jiu-jítsu para que ela pudesse contê-lo durante as crises. Ela seguiu no esporte, conquistando diversos títulos e foi instrutora de crianças autistas. Hoje, mãe de uma criança neuroatípica com autismo nível 2 que tem o mesmo nome do irmão.

“Arthur não só foi nossa inspiração, mas também foi o catalisador para que nos dedicássemos a encontrar soluções para essa escassez na cidade desse serviço. Nosso propósito agora é proporcionar terapias que não apenas melhorem a qualidade de vida, mas também promovam o desenvolvimento psicomotor de crianças com Transtorno do Espectro Autista.”, declara Alycia.

Inovação

O método A.R.T.H.U.R, abordagem terapêutica inovadora do centro, é uma homenagem ao seu irmão e ao seu filho. Cada letra representa um tópico aplicado ao método de terapia: Atividade integradora de jiu-jítsu, Relatório detalhados, Trabalho multiprofissional, Humanização do tratamento, União com parcerias e profissionais de saúde e Resultados mensuráveis.

Segundo Alycia, o jiu-jítsu não é apenas um esporte, mas uma ferramenta terapêutica para autistas, visto que cerca de 80% enfrentam desafios psicomotores. As práticas no tatame visam fortalecer não apenas o corpo, mas também a mente, promovendo o desenvolvimento psicomotor, disciplina, foco, respeito, interação social e redução do sedentarismo e do estresse.

O centro conta com uma equipe multiprofissional e as aulas são ministradas por Alycia em conjunto com um fisioterapeuta: “Cada sessão de terapia é registrada e examinada, abrangendo aspectos cruciais da psicomotricidade, cognição e comportamento, incluindo interação social, concentração e outros fatores relevantes. Desenvolvemos um questionário adaptado especificamente para nossas práticas terapêuticas. Ele nos permite quantificar o progresso do paciente de maneira precisa e objetiva. Essa abordagem se torna uma ferramenta indispensável, fornecendo aos profissionais de outras áreas uma compreensão detalhada do processo, e os pais também recebem esses relatórios e acompanham a evolução do filho.”

Josué Oliveira, pai de Gabriel, uma criança autista de 6 anos, compartilha sua experiência: “Gabriel é acompanhado por uma equipe multidisciplinar desde que recebeu o diagnóstico, com 2 anos. A parte de interação social sempre foi difícil, mas vimos que o trabalho do pessoal da Jiu Jitea tem contribuído muito porque o jiu jitsu é esporte de contato e isso tem ajudado principalmente na parte motora, que em qualquer autista, é um problema sério.”, declara.

Desde que começou em janeiro, a criança compartilha o que aprende em casa, mostrando uma significativa melhora no equilíbrio e habilidades cotidianas, como comer sozinho.

Fonte: A Tarde

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