
Um dos delegados demitidos por
envolvimento com o tráfico de drogas em duas cidades baianas, Josivânio
da Rocha Araújo recebeu salário durante 6 anos e um mês, um total de R$
951.368,12. Um processo administrativo de reparação de danos foi
instaurado nesta terça-feira (25), conforme publicação no Diário
Oficial.
Josivânio
era delegado de Monte Santo e foi demitido pelo então governador do
estado, Rui Costa, em 09 de janeiro de 2019. Além dele, também foi
exonerado o titular da delegacia de Cansanção, Carlos Roberto Botelho
Vasconcelos. Ambos foram alvos da Operação Monte Santo, no ano de 2011.
Mesmo
fora da polícia, Josivâncio recebeu salário referente a 73 meses.
Segundo o ranking salarial do Sindicato dos Delegados de São Paulo
(Sindpesp), que é referência para outras associações da categoria, um
delegado na Bahia ingressa ganhando R$ 13.032.44. De lá para cá, o
delegado demitido recebeu por 2.244 dias não trabalhados.
O
pagamento indevido é investigado, conforme determinação da delegada
Heloísa Campos de Brito, em um dos seus últimos despachos como
delegada-geral da Polícia Civil.
Polícia Civil apura o pagamento indefido ao delegado demitido Crédito: Reprodução
“Apurar
e determinar os prejuízos causados ao erário pelo ex-servidor, que,
mesmo após demitido do seu cargo público em 09.01.2019, continuou ativo
na folha de pagamento e recebeu indevidamente remuneração até o mês de
maio de 2022”, diz a decisão.
Tráfico
À
época, segundo as investigações em 2011, a quadrilha atuava em várias
frentes, recebendo dinheiro de traficantes para beneficiar atividades
deles. As apurações apontaram também que os criminosos extorquiam
pessoas abordadas em blitze e vazavam informações de operações de
combate às drogas.
O
grupo negociava a liberdade de criminosos e liberação de material
apreendido mediante pagamento de valores que oscilavam entre R$ 2 mil e
R$ 8 mil. Araújo foi apontado como líder da quadrilha.
A
“Operação Monte Santo” foi realizada em conjunto pelo Grupo de Atuação
Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público
Estadual e Polícia Civil. O esquema era liderado por Josivâncio, preso
em Salvador e encaminhado para a Corregedoria da Polícia Civil.
Além
dos delegados, foram presos, na época, o advogado e ex-procurador do
município de Cansanção Alexsandro Soares Andrade; o soldado PM Jullian
Ross Dias Serafim, que era lotado no município de Senhor do Bonfim; além
dos “X-9” Cleudson de Santana Campos, apelidado por Clayton e Lindon
Johnson Salvador Lopes que, mesmo não recebendo salário de nenhuma
instituição, tinham amplo acesso inclusive no Fórum, o que lhes dava
condições de promoverem o vazamento de informações. Durante a operação
foi preso em flagrante Gildemar Gomes da Silva, conhecido por "Burrego",
motorista do advogado que atendendo pedido do patrão, ajudou a esconder
armas.
Fonte: Correio 24 horas

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