
Na última quinta-feira, 29 de maio, um
grave incidente ambiental foi registrado na localidade da Fazenda
Várzea da Esporia, zona rural do município de Quixabeira, Bahia. De
acordo com denúncias de moradores e produtores locais, dois
proprietários rurais utilizaram agrotóxicos de forma inadequada para
eliminar vegetação indesejada em suas propriedades, resultando em
extensa contaminação ambiental.
Segundo
relatos, um dos produtores chegou a utilizar drone na aplicação do
veneno, o que teria potencializado os danos ao ambiente e às
propriedades vizinhas, afetando diretamente a fauna e a flora local,
incluindo a morte de milhares de abelhas pertencentes a apicultores da
região.
Possível crime ambiental e investigação em andamento
A
Polícia Técnica de Jacobina foi acionada e realizou perícia no local.
Amostras de abelhas e plantas foram coletadas para exames laboratoriais,
que devem indicar qual o produto químico utilizado, se o mesmo é
autorizado pela legislação e qual o grau de impacto ambiental causado.
Segundo
a Lei Federal nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), em seu Art. 54,
é crime causar poluição de qualquer natureza que possa resultar em
danos à saúde humana, à fauna ou à flora. A pena prevista é de reclusão
de 1 a 4 anos, além de multa, podendo ser ampliada se houver agravantes,
como a morte de espécies ou prejuízos à saúde humana.
Além
disso, a aplicação de agrotóxicos no Brasil é regida pela Lei nº
7.802/1989, que exige registro do produto junto aos órgãos competentes
(MAPA, ANVISA e IBAMA), uso de equipamentos de proteção, e aplicação em
condições controladas, com o devido aviso a vizinhos e órgãos ambientais
em caso de pulverização aérea — incluindo o uso de drones.
Reincidência preocupa
Esse
não é o primeiro episódio do tipo registrado em Quixabeira. Há algumas
semanas, outro produtor rural teria utilizado o herbicida
DisparoUltra-S, composto por Fluroxipir e Picloram — substâncias de alta
toxicidade —, resultando na intoxicação de oito pessoas que sequer
estavam nas proximidades da aplicação, sendo atendidas em unidades de
saúde por conta da inalação dos compostos químicos.
Apicultura em risco e saúde humana ameaçada
A
morte das abelhas representa não apenas um dano econômico aos
apicultores, mas também uma ameaça à biodiversidade e à produção
agrícola local, que depende da polinização realizada por esses insetos.
Além disso, a saúde humana também pode ser afetada direta ou
indiretamente pelo uso indiscriminado de venenos nas lavouras.
Exigência de providências imediatas
Moradores
e entidades ambientais cobram que as autoridades competentes — como o
IBAMA, Ministério Público e Secretaria Estadual de Meio Ambiente —
adotem providências urgentes, tanto para responsabilizar os infratores
quanto para prevenir novos casos.
A
legislação prevê ainda que os responsáveis devem reparar os danos
causados ao meio ambiente, conforme previsto no Art. 225 da Constituição
Federal, que estabelece o direito de todos a um meio ambiente
ecologicamente equilibrado, impondo ao Poder Público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá-lo.
Fonte: FR Notícias

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