Sérgio Nahas

Imagens do sistema de monitoramento da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) mostram o momento em que o empresário Sérgio Nahas foi identificado por câmeras de reconhecimento facial enquanto circulava por Praia do Forte, um dos destinos turísticos mais frequentados do litoral norte do estado. O vídeo, registrado em área de grande fluxo de pessoas, foi fundamental para a localização do condenado, que estava foragido da Justiça de São Paulo e acabou preso.

No registro, Nahas aparece caminhando tranquilamente pela vila turística, em meio a moradores e visitantes. As imagens foram captadas por equipamentos integrados à malha de videomonitoramento inteligente da SSP, instalada em pontos estratégicos da região.

Como funciona o reconhecimento facial

O sistema utilizado pela Secretaria da Segurança Pública cruza imagens captadas em tempo real com bancos de dados oficiais que reúnem fotos de pessoas procuradas pela Justiça. Quando há compatibilidade entre o rosto filmado e um cadastro ativo, um alerta é emitido automaticamente para as forças de segurança.

No caso de Sérgio Nahas, o reconhecimento ocorreu porque o nome e a imagem dele já constavam nos sistemas policiais após a expedição do mandado de prisão. A identificação positiva gerou um aviso imediato, que foi repassado às equipes da Polícia Militar responsáveis pelo policiamento da área.

Após receberem a informação, policiais militares se deslocaram até o local onde o empresário estava hospedado. Ele ocupava um apartamento de alto padrão em um condomínio na região de Praia do Forte. Segundo a PM, a abordagem ocorreu de forma tranquila, sem resistência por parte do condenado.

Durante a ação, os policiais apreenderam um carro da marca Audi, três aparelhos celulares, cartões de crédito e 13 pinos de cocaína que estavam em posse de Nahas. Todo o material foi apresentado à autoridade policial.  Nahas está sob custódia e deve ser transferido para cumprimento da pena em São Paulo.

Crime e condenação

Sérgio Nahas foi condenado pelo assassinato da esposa, Fernanda Orfali, ocorrido em setembro de 2002, no apartamento onde o casal vivia, no bairro de Higienópolis, região central de São Paulo. Fernanda tinha 28 anos e estava casada havia cerca de seis meses quando foi morta por disparo de arma de fogo.

Segundo a acusação, o crime ocorreu após uma discussão entre o casal. Durante o confronto, Fernanda teria tentado se proteger e se trancado no closet do apartamento, mas Nahas arrombou a porta e efetuou dois disparos. O primeiro tiro atingiu a região próxima à coluna vertebral e alcançou o coração da vítima, causando a morte. O segundo disparo saiu pela janela do imóvel.

Desde o início do processo, a defesa sustentou a versão de que Fernanda teria cometido suicídio. No entanto, laudos periciais descartaram essa hipótese. A Polícia Técnico-Científica não encontrou resíduos de pólvora nas mãos da vítima, o que enfraqueceu a tese apresentada.

As investigações também apontaram indícios de alteração da cena do crime antes da chegada da perícia. Um dos elementos citados foi a presença de pólvora em uma camisa pertencente a Nahas, localizada embaixo da cama do casal, o que reforçou a acusação de homicídio. 

Correio