Jefferson e sua moto, parada em frente à delegacia de Bangu
Jefferson e sua moto, parada em frente à delegacia de Bangu — Foto: Fotos de reprodução

 

“Em quatro dias, fui do desespero ao alívio, e do alívio ao desespero”, disse Jefferson Francisco dos Santos, de 38 anos, ao começar a conversar com o EXTRA. Motociclista de aplicativo, ele se esforçou para conter a indignação ao lembrar, ontem, que já estava há quase duas semanas sem trabalhar por conta do desaparecimento do veículo com o qual garante o sustento da família. Pouco depois de sua moto ter sido roubada, PMs conseguiram recuperá-la rapidamente, mas ela sumiu da delegacia para a qual havia sido levada.

O caso foi primeiramente divulgado pelo “Bom Dia Rio”, da TV Globo. Tudo começou na madrugada do último dia 2, no bairro de Coelho Neto, na Zona Norte do Rio. Jefferson aceitou um pedido de corrida e, ao chegar ao local marcado para o embarque, foi rendido por dois bandidos. Era 0h20.

— Eu tentei argumentar, mas eles não quiseram saber, até me agrediram — contou ele, acrescentando que ainda precisa pagar dez prestações da motocicleta e que também teve um celular roubado.

Logo após o crime, Jefferson viu PMs do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) e contou o que tinha acontecido. Eles fizeram contato com outras equipes e, à 0h35, informaram à vítima que agentes do 14º BPM (Bangu) já haviam abordado os ladrões e recuperado a moto na Avenida Brasil, altura da Vila Kennedy, na Zona Oeste.

Em depoimento, um dos policiais que participaram da abordagem disse que os bandidos demonstraram nervosismo ao passarem pela viatura em que ele estava e que houve perseguição. Os criminosos derraparam com a moto e bateram em um muro. Um dos ladrões foi preso; o outro conseguiu fugir por uma área de mata.

Os PMs levaram Jefferson para a 34ª DP (Bangu), onde ele reconheceu o assaltante preso e viu sua moto. Após ser ouvido, o trabalhador foi informado que o veículo ainda seria periciado e que só poderia retirá-lo na segunda-feira seguinte, dia 5, no Pátio Legal de Vargem Grande. Mas, o que prometia ser um desfecho feliz, virou o início de um novo drama.

O jeito foi fazer registro de furto

Naquela segunda-feira, assim que amanheceu, Jefferson foi para o Pátio Legal, onde acabou sendo informado que a placa de sua moto não constava no sistema de entrada de veículos. À tarde, ele voltou, e ouviu outra negativa. No dia seguinte, retornou à 34ª DP, andou pelo estacionamento da delegacia e percebeu que sua Honda 2022 também não estava por lá.

— Eu moro na Penha. Fui a Vargem Grande e Bangu. Depois, fui ao Jacaré, para tentar ver se minha moto estava na Cidade da Polícia. Nada. Aí, voltei à delegacia e decidi fazer um registro de furto. No começo, os policiais não quiseram, mas eu insisti, já tinha falado com um advogado. Minha preocupação é que estou sem trabalhar. A moto é meu sustento. Estou vendo as contas chegando, as coisas faltando. Daqui a pouco não vou ter dinheiro para comprar comida — disse Jefferson, desolado.

O motociclista de aplicativo contou que policiais lhe pediram uma semana para tentar achar a moto, verificando imagens de câmeras de segurança e registros de retirada de veículos. Não tiveram sucesso até ontem.

Risco reconhecido

Jefferson contou que, ao chegar à delegacia, foi informado que sua motocicleta não se encontrava no local, “não havendo qualquer registro ou informação acerca da retirada formal do veículo”. Relatou ainda que foi avisado “da possibilidade de a motocicleta ter sido furtada, considerando que o veículo estaria estacionado na área de vagas destinadas às viaturas”.

Polícia se manifesta

Em uma nota à TV Globo, reproduzida pelo site g1, a Polícia Civil alegou que “não é possível afirmar se o veículo citado tem relação direta com um possível furto nem confirmar de forma definitiva se o bem recuperado é o mesmo indicado pela vítima”. Mais tarde, a corporação informou ao EXTRA que a investigação está em andamento na 34ª DP.