
Ex-funcionários que atuaram no mercado atacadista Mix Mateus, em Juazeiro, no norte da Bahia, voltaram a procurar o Portal Preto no Branco para reclamar do suposto atraso no pagamento de horas extras referentes ao ano de 2022. Os valores estariam sendo intermediados pelo Sindicato dos Empregados no Comércio. Segundo os trabalhadores, além da demora no repasse, há relatos de tratamento hostil quando buscam informações junto à entidade sindical.
De acordo com os trabalhadores, a empresa Mix Mateus teria repassado ao sindicato os valores correspondentes às horas extras trabalhadas em 2022 e não quitadas à época. No entanto, os ex-funcionários afirmam que o sindicato ainda não efetuou o pagamento aos beneficiários, incluindo trabalhadores que já se desligaram da empresa.
Uma das ex-funcionárias informou que esteve no sindicato no dia 11 de novembro, quando assinou a documentação necessária para receber o valor. Contudo, até o momento, o dinheiro não foi depositado em sua conta.
“Já tem mais de um mês e nada do dinheiro cair. Todos os dias que a gente liga para cobrar, somos humilhados. Eles não querem que a gente vá atrás do nosso dinheiro”, relatou.
Segundo ela, o sindicato chegou a informar uma data para a retomada dos pagamentos, mas voltou atrás sem apresentar qualquer explicação formal.
“Disseram que dia 20, que é hoje, voltariam a pagar. Liguei agora pouco e essa data já foi retirada. Agora dizem apenas que temos que esperar, mas sem data definida”, afirmou.
Ainda de acordo com os trabalhadores, a postura adotada pelo sindicato durante os atendimentos é considerada desrespeitosa, dando a entender que o recebimento do valor seria um favor, e não um direito garantido.
“Sempre sou destratada quando questiono sobre o pagamento. É totalmente hostil, como se estivessem fazendo um favor para a gente”, disse outra trabalhadora.
Um dos atendimentos telefônicos, atribuídos a um responsável pelo sindicato, foi citado por uma ex-funcionária como exemplo da condução adotada pela entidade. Durante a ligação, o representante teria afirmado que a trabalhadora não deveria insistir em cobranças frequentes.
“Liguem para o sindicato é um atendente me disse o seguinte: É sua defesa de paciência […]. A senhora é a única pessoa que está todo dia ligando. Então, assim, vai viver. Esse valor é seu, você vai receber”, disse.
Os ex-funcionários também destacam que, após o prazo inicialmente informado pela entidade, foram orientados a aguardar o período de recesso.
“O sindicato diz que está em recesso e que precisa esperar a Justiça voltar do recesso também. Enquanto isso, vários trabalhadores continuam sem receber, mesmo com o nome constando na lista”, relatou outra ex-funcionária.
Em dezembro do ano passado, funcionários e ex-funcionários já haviam acusado o Sindicato dos Empregados no Comércio de não efetuar o repasse dos valores que teriam sido transferidos pela empresa à entidade sindical. À época, os trabalhadores encaminharam denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), cobrando do sindicato o repasse dos valores, informações sobre o andamento do pagamento e a adoção de providências.
Encaminhamos as reclamações para o Sindicato dos Empregados no Comércio em busca de esclarecimentos. Em nota, o Sindcom informou que “em atenção ao questionamento apresentado, esclarecemos que o pagamento está programado para ocorrer na próxima quinta-feira, dia 22, conforme cronograma atualizado. Reforçamos que o sindicato permanece acompanhando o processo e à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários, buscando garantir que os direitos sejam devidamente cumpridos. Destacamos ainda que o sindicato não concorda e não compactua com qualquer tipo de atendimento inadequado ou desrespeitoso ao comerciário, reafirmando seu compromisso com o respeito, a dignidade e a valorização da categoria.
Redação PNB
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