Imagem de Toffoli critica PF por descumprir prazo para operação contra Tanure e cunhado de Vorcaro

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli criticou a Polícia Federal por descumprir os prazos determinados por ele na operação que investiga possíveis fraudes de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Em despacho assinado nesta terça-feira (13), ele aponta que medidas cautelares contra Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e Nelson Tanure, investidor ligado ao dono do Master, foram requeridas em 6 de janeiro e deferidas no dia seguinte.

O deferimento veio com ordem subsequente para cumprimento no prazo de 24 horas, contadas a partir das 14H52 do dia 12 de janeiro, "diante da gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos", aponta a decisão do ministro.

"Causa espécie a esse relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaracterizando as provas essenciais ao deslinde da causa", prossegue o ministro.

Ele ainda destacou "a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas".

O prazo inicial dado por Toffoli expirou nessa terça-feira (13). No seu despacho, o ministro aponta que a PF representou seu gabinete por medidas urgentes às 19h13 dessa terça-feira apontando que Zettel tinha passagem comprada para Dubai. O voo seria "poucas horas antes do cumprimento das medidas judiciais determinadas".

"O embarque do investigado constitui oportunidade única a propiciar a obtenção de elementos que corroborem, ainda mais, sua participação nos delitos investigados, além da materialidade de outros delitos sobre os quais sobre ele já recaem suspeitas de autoria", prossegue o pedido da PF.

A antecipação da operação contra Zettel levou ao pedido pela PF da prisão temporária por um dia. O objetivo é impedir que ele se comunicasse com outros investigados. Para os demais alvos, a operação foi deflagrada às 6h desta quarta-feira (14).

Toffoli disse em seu despacho que a "eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da PF, inclusive diante de inobservância expressa e deliberada de decisão por mim proferida na data de 12 de janeiro, que determinou a deflagração da presente fase no prazo de 24 horas".

"Eventual prejuízo às demais medidas em decorrência do presente pedido são de inteira responsabilidade da autoridade policial", prosseguiu.

A operação desta quarta-feira teve 42 mandados de busca e apreensão nesta nova fase da operação, além de ordens de sequestro e bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões.

São alvos endereços ligados a Vorcaro, a parentes dele e a empresários, incluindo João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, gestora investigada no caso Master e suspeita envolvimento com o crime organizado. Os mandados são cumpridos também em Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro
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 Por Lucas Marchesini e Adriana Fernandes / Folhapress