
O diretor-presidente da Amprev (Amapá Previdência), Jocildo Lemos,
pediu exoneração do cargo nesta quarta-feira (11) após operação da
Polícia Federal que investiga investimento da autarquia no Banco Master,
de Daniel Vorcaro.
Indicado ao posto pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP),
de quem já foi tesoureiro de campanha e a quem agradeceu publicamente
pela nomeação, Lemos comandava a autarquia vinculada ao governo do Amapá
responsável pela gestão do regime próprio de previdência do estado.
Segundo comunicado divulgado por Lemos no site da autarquia, o
afastamento ocorre para que a Justiça atue com independência e para que
seja comprovado que os ”procedimentos foram conduzidos com rigorosa
observância da legalidade, possibilitando a identificação e a
responsabilização dos eventuais responsáveis”.
”Seguindo com absoluto compromisso com a instituição, com os segurados e
com a verdade dos fatos, apresento meu pedido de exoneração do cargo de
Diretor-Presidente da Amprev”.
Ele disse, em nota, que tem confiança na Justiça e na força dos fatos.
Acrescentou ainda que o patrimônio da Amprev cresceu 41% entre 2023 e
2025, garantindo o pagamento de aposentados e pensionistas até 2059.
A PF afirma que a destinação de recursos da Amprev para o Banco Master,
em deliberações adotadas em menos de 20 dias, ignorou alertas internos,
desprezou riscos relacionados ao investimento e deixou de exigir,
previamente, documentação técnica complementar. Ao todo, os aportes
somaram R$ 400 milhões.
Então diretor-presidente do instituto e coordenador do comitê de
investimentos, Lemos teve “papel central” na condução das reuniões, em
julho de 2024, e na execução das decisões aprovadas, segundo a PF.
A polícia fez buscas em endereços de Jocildo; José Milton Afonso
Gonçalves, conselheiro da Amprev e integrante do comitê de
investimentos; e Jackson Rubens de Oliveira, também integrante do comitê
de investimentos e participante de reuniões que decidiram por aportes
no Master.
Jocildo, José Milton e Jackson tiveram participação decisiva para a
aplicação dos R$ 400 milhões em letras financeiras do Master, conforme a
PF, num ”contexto marcado por alertas técnicos, fragilidades de
governança, ausência de diligências robustas e crescente concentração de
risco”.
Durante reunião para decisão sobre aporte do dinheiro da previdência
estadual, segundo a investigação, Jocildo teria ”relativizado”
questionamentos técnicos apresentados por outros conselheiros e
defendido aprovação das operações com base em fundamentos ”genéricos”.
”Há registros que sugerem a neutralização de alertas internos e a
condução do processo decisório de forma incompatível com os padrões de
governança exigidos para a gestão de recursos previdenciários”, cita o
relatório da PF.
Por Raquel Lopes | Folhapress
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