Restaurante foi roubado durante a madrugada em destino turístico da Bahia 

 Uma situação de violência na cidade de Prado, no sul da Bahia, chamou a atenção de moradores nesta terça-feira (24). Duas turistas gaúchas, de 55 e 57 anos, foram baleadas durante um passeio turístico no distrito de Corumbau. Informações preliminares indicam que as vítimas estariam a caminho de Barra do Cahy, local onde um restaurante foi invadido neste mês. 

Os donos do estabelecimento disseram que tiveram prejuízo de R$ 300 mil após homens armados com fuzis invadirem o espaço durante a madrugada de 8 de fevereiro. "Caseiros foram rendidos, tiros foram disparados durante a madrugada e pessoas que apenas trabalhavam para viver tiveram suas vidas colocadas em risco", disse o Manzuko Beach Club, em nota. 


"Em poucas horas, tudo foi devastado. Um lugar que levou anos para ser erguido foi deixado uma cena de terror e destruição. O prejuízo podemos estimar passando dos R$ 300 mil", completou. Entre os itens roubados estão dois notebooks, dois freezers, seis liquidificadores, um celular, 190 pratos, além de 1.560 garrafas de bebidas alcoólicas e 990 quilos de alimentos, entre pescados e carnes. 


"O que aconteceu em nosso restaurante não foi apenas uma invasão. Foi a destruição de um sonho construído com anos de trabalho duro, investimento, dedicação diária e sacrifícios que só quem empreende no Brasil conhece", lamentou o restaurante. 

Barra do Cahy é uma praia localizada na Costa do Descobrimento. É considerada a primeira praia do Brasil por ter sido o local onde a esquadra de Pedro Álvares Cabral primeiro teria desembarcado, em abril de 1500. 

Turistas baleadas 

Informações preliminares indicam as duas turistas gaúchas estavam indo para Barra do Cahy quando foram baleadas, nesta terça-feira (24). As mulheres, de 55 e 57 anos, foram baleadas no distrito de Corumbau, segundo a polícia, e estavam dentro de um carro de passeio. A Polícia Civil disse que um grupo de pessoas armadas efetuou disparos de arma de fogo contra o veículo onde as vítimas estavam.

As vítimas foram socorridas de helicóptero para o Hospital Regional de Porto Seguro, como mostram vídeos compartilhados nas redes sociais. Nas imagens, é possível ver que uma das vítimas é carregada até a aeronave. O carro de passeio onde elas estavam tem marcas de disparos de arma de fogo. As turistas estavam de roupa de banho no momento em que foram atingidas.


Em nota, a Polícia Civil confirmou que o caso é investigado pela Delegacia Territorial de Prado. "Diligências são realizadas com o objetivo de identificar autoria e motivação para o crime", afirma. A polícia diz ainda que, segundo informações preliminares, um grupo de pessoas armadas efetuou disparos de arma de fogo contra as vítimas.

Procurada, a Polícia Militar solicitou que a reportagem entrasse em contato com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Isso porque a área é palco de conflitos de terras e ocupações indígenas. A secretaria não se pronunciou sobre o caso. A Prefeitura de Prado e a Polícia Federal também foram procuradas.

A Secretaria da Segurança Pública da Bahia informou que determinou o reforço imediato do patrulhamento da Polícia Militar na cidade de Prado e ressalta que a Polícia Civil investigará o caso, visando identificar e prender os autores dos disparo

Conflitos por terras

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) emitiu uma nota, nesta terça-feira (24), denunciando que indígenas Pataxó foram surpreendidos com um cerco as estradas de acesso ao distrito de Corumbau, onde as turistas gaúchas foram atingidas. A Apib afirma que os disparos teriam sido disparados por pistoleiros e diz ainda que uma família indígena foi sequestrada.

"Exigimos imediata proteção dos povos e da população no território, apuração dos fatos e esclarecimento amplo na mídia sobre as notícias difamatórias que circulam nas redes sociais", diz a Apib, em nota. "A Terra Indígena Comexatibá foi declarada de posse permanente do povo Pataxó pelo Ministério da Justiça em novembro de 2025, por meio da Portaria nº 1.073, após décadas de luta pelo reconhecimento de nossos direitos territoriais", completa.
Queremos afirmar de forma clara e inequívoca que os disparos que atingiram as turistas não foram efetuados por indígenas do movimento pela Terra Indígena Comexatibá. Essa versão amplamente compartilhada em perfis de redes sociais contraria a realidade dos fatos e as informações que nossos próprios membros nos forneceram 

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