Os governadores começaram 2026 em meio a articulações políticas para as
eleições de outubro, com movimentos que incluem migrações partidárias,
renúncias para concorrer a outros cargos e até mesmo estratégias de
mistério sobre o futuro político.
Dos atuais 27 governadores, 20
estão com destino político selado: 9 concorrem à reeleição, 9 vão
disputar o Senado e 2 não serão candidatos. Outros 4 tentam se
viabilizar como candidatos à Presidência e 3 ainda não decidiram se vão
disputar as eleições.
Os governadores que vão concorrer a outros
cargos precisam renunciar até o dia 4 de abril, cumprindo a legislação
eleitoral. As renúncias devem mexer com o tabuleiro de ao menos 13
estados, com a ascensão dos vices em 11 deles.
Em ao menos dez
unidades da federação, os vice-governadores são os candidatos à
sucessão. O movimento, na maioria dos casos, busca manter a ascendência
dos atuais governadores sobre seus respectivos grupos políticos.
Em
Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) vai passar o bastão para o
vice Matheus Simões (PSD). Seu principal desafio é se tornar mais
conhecido --para isso tem apostado nas redes sociais e na visibilidade
do padrinho político Zema, que se lançou como pré-candidato a
presidente.
O cenário é semelhante no Pará, onde a
vice-governadora Hana Grassan (MDB) disputa a sucessão de Helder
Barbalho (MDB), que vai disputar o Senado. Será a primeira vez que ela
vai concorrer a um cargo majoritário como cabeça de chapa.
No Rio
Grande do Sul, o vice-governador Gabriel Souza (MDB) terá o apoio de
Eduardo Leite (PSD) em uma disputa que começa polarizada entre nomes do
PT e o PL. Outros vices vão concorrer no Distrito Federal, Goiás, Mato
Grosso, Paraíba, Espírito Santo, Acre e Roraima.
As renúncias vão
ampliar o predomínio da centro-direita nos estados. O PP, que tem dois
governadores, chegará a quatro com a ascensão dos vices Lucas Ribeiro,
na Paraíba, e Celina Leão, no Distrito Federal. O Republicanos dará um
salto semelhante, e terá quatro governadores, incluindo Otaviano
Pivetta, em Mato Grosso, e Edilson Damião, em Roraima.
O MDB dará
um salto de dois para cinco governadores com a ascensão dos vices no
Pará, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Já o PSD poderá ficar com
cinco governadores após a renúncia dos presidenciáveis Ronaldo Caiado
(Goiás), Ratinho Jr. (Paraná), e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
O
presidente Lula (PT) manterá aliados no comando de dez estados, mas a
esquerda vai perder espaço com as renúncias de Fátima Bezerra (PT-RN),
Renato Casagrande (PSB-ES) e João Azevêdo (PSB-PB).
Os pessebistas
serão substituídos por vices da centro-direita, enquanto a petista
enfrenta um cenário nebuloso após o rompimento com o vice-governador
Walter Alves (MDB), que será candidato a deputado estadual e também vai
se desincompatibilizar.
Caberá à Assembleia Legislativa escolher
um novo governador para um mandato-tampão. Para a eleição de outubro, o
PT escolheu o nome de Cadu Xavier, secretário estadual da Fazenda.
No
Rio de Janeiro, o quadro é parecido. O governador Cláudio Castro (PL)
vai renunciar para concorrer ao Senado, mas está sem vice: Thiago
Pampolha deixou o cargo no ano passado para assumir uma cadeira no
Tribunal de Contas do Estado. O estado também precisará eleger um
governador-tampão.
No Maranhão e em Alagoas, os governadores
permanecem no cargo até o fim do mandato. O alagoano Paulo Dantas (MDB)
articula a volta do seu antecessor, o ministro dos Transportes, Renan
Filho (MDB).
No caso maranhense, o governador Carlos Brandão (sem
partido) abdicou de concorrer ao Senado após desavenças com o vice
Felipe Camarão (PT). Ele segue no cargo para articular a candidatura do
sobrinho, o secretário estadual Orleans Brandão.
No Amazonas,
Tocantins e Rondônia, os governadores fazem mistério quanto ao futuro
político. Nos três casos, os governadores têm rusgas com os seus vices e
pretendem manter o domínio da máquina pública para eleger aliados como
sucessores.
Wilson Lima (União Brasil), governador do Amazonas,
quer disputar Senado, mas enfrenta desgastes em sua gestão. Uma opção
cogitada é concorrer a deputado federal.
No caso do Tocantins, o
governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) foi afastado pela Justiça em
setembro de 2025 e ficou três meses fora do cargo, dando lugar ao vice
Laurez Moreira (PSD), seu desafeto. Agora, resiste em passar o bastão
para o vice.
Dentre os governadores que devem disputar a
reeleição estão Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, que
perdeu fôlego como presidenciável com a pré-candidatura do senador
Flávio Bolsonaro (PL).
Na esquerda, os petistas Jerônimo Rodrigues
(Bahia) e Elmano de Freitas (Ceará) enfrentam desgastes sob a sombra de
seus antecessores, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Camilo Santana
(Educação). A tendência, contudo, é que ambos disputem a reeleição.
Em
Santa Catarina, o governador Jorginho Mello (PL) enfrentou um revés com
o rompimento do MDB, legenda com mais prefeitos no estado. Ainda assim,
segue como favorito para a reeleição no estado, que tem forte viés
bolsonarista.
Por João Pedro Pitombo / Folhapress
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