Moisés foi morto a tiros na Calçada

O influenciador digital e ator Moisés Trindade Barbosa Ferreira, 33 anos, morto a tiros na frente da família no bairro da Calçada, em Salvador, era uma voz da comunidade onde morava. Vítima de dois suspeitos ainda não identificados, ele se definia como ‘influenciador comunitário nas redes sociais e era ator de vídeos que misturavam humor e crítica social, com mensagens voltadas para o cotidiano das comunidades.

Além da atuação na internet, o jovem havia realizado um sonho recente: inaugurou um bar em dezembro do ano passado, também na região da Calçada. A morte provocou uma onda de homenagens nas redes sociais. Amigos, seguidores e familiares compartilharam mensagens lamentando a perda e destacando o carisma de Moisés.

Ele era um dos integrantes do coletivo “Fatos de Favela”, criado em 2019 por moradores de comunidades de Salvador e que reúne cerca de 33 mil inscritos. O grupo produz conteúdos inspirados na rotina das periferias e busca dialogar diretamente com o público jovem. Embora os atores aparecessem nas gravações usando armas falsas, a proposta era justamente reforçar uma mensagem contrária ao crime.

O influenciador também participava do canal “Pé no Chão”, lançado no fim de 2025 ao lado de amigos do bairro da Calçada. O projeto ampliou a visibilidade de Moisés nas plataformas digitais e consolidou sua atuação como comunicador comunitário.

Alan Cardoso, amigo da vítima e criador do canal, destacou o caráter do influenciador em uma publicação emocionada. “Só queria vencer na vida, 100% pureza. Tantos planos e sonhos. Nós guerreando para tirar várias pessoas do crime. Você amava gravar igual a mim. Não colocava dificuldade em nada. Vou te levar até o último suspiro”, escreveu.

Em outra homenagem, o grupo publicou um vídeo de despedida. “A família Pé no Chão nunca imaginou um dia ter que postar esse tipo de vídeo, mas é com imenso pesar que nós viemos aqui hoje nos despedir do nosso amigo, nosso companheiro e nosso fiel Moisés. Hoje vão ficar somente lembranças e memórias boas e felizes. Era assim que você era com todos nós: quando você chegava era só alegria e risada”, diz o

Em postagens anteriores, o próprio Moisés já havia relatado a alegria de ser reconhecido nas ruas pelo trabalho que desenvolvia nas redes sociais. Ele dizia ser “gratificante” encontrar seguidores que acompanhavam os vídeos e pediam fotos.

Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento. A Polícia Civil segue com diligências para identificar os autores e esclarecer a motivação do crime. 

Correio