A jovem que acusa o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Marco Aurélio Buzzi, de importunação sexual declarou à Polícia Civil de São Paulo que ele a conduziu para área isolada de uma praia, a tocou sem consentimento e, em seguida, a aconselhou a ser "menos sincera".
O jornal Folha de São Paulo teve acesso ao depoimento, prestado pela jovem de 18 anos no último dia 14 de janeiro.
Marco Buzzi, 68 anos, está de licença da corte por questões de saúde e nega as acusações. O ministro foi internado no DF Star, em Brasília, nesta quinta (5), um dia após o CNJ confirmar que ele é alvo de representação por assédio.
Em nota divulgada na quarta-feira (4), o ministro afirmou que "foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos". Ele disse ainda que repudia "toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio".
Segundo o depoimento do dia 14, o episódio ocorreu em 9 de janeiro, na praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú (SC). A jovem estava hospedada com os pais na casa de praia do ministro.
Conforme o relato, a jovem e o ministro foram à praia enquanto os pais da jovem e a esposa do ministro terminavam afazeres na residência.
Após passarem um tempo na areia, Buzzi a teria convidado para entrar no mar e sugeriu que fossem para o lado esquerdo da praia, afirmando que ali o mar estaria mais tranquilo. A jovem estranhou a justificativa, pois achou que o mar não estava revolto onde estavam.
O local escolhido pelo ministro não tinha visibilidade do guarda-sol em que os demais participantes da viagem poderiam estar caso decidissem ir à praia, segundo o depoimento.
Já dentro d'água, em área funda, Buzzi teria perguntado a idade da jovem. Em seguida, teria comentado que estava com frio e apontado para um casal abraçado nas proximidades.
Em seguida, conforme o relato, o ministro a puxou pelo braço, virou-a de costas e pressionou seu corpo contra o dela. Afirmou que a achava "muito bonita". Quando ela tentou se soltar, ele a puxou novamente, segundo o documento.
A jovem afirmou ter conseguido se afastar após algumas tentativas do ministro de puxá-la.
Logo depois que a soltou, ainda de acordo com o depoimento, Buzzi afirmou: "Você é muito sincera, deveria ser menos sincera com as pessoas. Eu só vejo a relação com a sua mãe, mas você é muito sincera, deveria ser menos. Isso pode te prejudicar".
Depois, ao saírem do mar, a jovem declarou que chegou ao guarda-sol, disse à mãe que precisava trabalhar, cobriu-se com uma toalha e correu para o condomínio. Lá, contou o ocorrido ao pai, segundo o depoimento.
A família deixou a casa do ministro no mesmo dia.
Segundo o documento, a jovem frequentava o STJ desde a infância e considerava o ministro "um avô e confidente". A mãe dela atua nos tribunais superiores, e a relação profissional evoluiu para amizade entre as famílias.
A jovem afirmou à polícia que, desde o ocorrido, não consegue dormir e está em acompanhamento com psicóloga e psiquiatra.
O STJ abriu sindicância para apurar o caso. A comissão é formada pelos ministros Raul Araújo, Isabel Gallotti e Antônio Carlos Ferreira. No STF (Supremo Tribunal Federal), a investigação criminal está sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.
A jovem prestou novo depoimento ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) nesta quinta-feira e reforçou que o magistrado teria cometido o ato. A denunciante fez, em vídeo, um relato detalhado do episódio.
A oitiva foi conduzida por uma juíza assessora e teve a participação, à distância, do corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell.
Por Laura Intrieri/Rogério Pagnan/Folhapress
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