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Polícia Civil de Mato Grosso determinou o envio imediato de uma equipe da Corregedoria-Geral ao município de Sorriso, no norte do estado, após a divulgação de mensagens atribuídas a policiais da delegacia local que sugerem práticas de abuso sexual contra detentas, tortura de investigados e possíveis forjações de provas.

A medida, segundo a corporação, tem como objetivo reforçar e acelerar as apurações já conduzidas pela delegacia da cidade, diante da gravidade do conteúdo que passou a circular em redes sociais e aplicativos de mensagens.

Os diálogos vazados teriam sido extraídos de um celular funcional da unidade policial e fazem referência a um grupo intitulado “DHPP/Assuntos Oficiais”, em alusão à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa.

Em um dos trechos, ao comentar sobre uma mulher presa, um dos participantes escreve: “Uma escaldada nessa piranha, rapaz, pode comer”, seguido de risadas. Em outra mensagem, uma integrante do grupo reage com espanto: “Que isso”.

Em outros, há expressões que indicariam práticas como suposta forja de flagrantes, agressões físicas a custodiados, instalação de aplicativos espiões em celulares de investigados e uso repetido de uma mesma arma para simular confrontos.

A Polícia Civil afirma que o aparelho de onde teriam partido as mensagens foi furtado da delegacia em outubro de 2025 e que as conversas ainda terão a autenticidade verificada.

A corporação também sustenta que, caso sejam verdadeiras, as mensagens não guardam relação direta com o estupro de uma custodiada ocorrido em dezembro do mesmo ano.

Estupro na carceragem

No mês seguinte ao vazamento das mensagens, uma mulher que estava presa na delegacia relatou ter sido estuprada por um investigador da unidade durante a noite, a madrugada e a manhã seguintes à audiência de custódia.

A vítima contou que permaneceu na carceragem e foi violentada quatro vezes. O suspeito, o investigador Manoel Batista da Silva, acabou preso no dia 1º de fevereiro por decisão judicial e foi indiciado pelos crimes de estupro e abuso de autoridade.

O caso passou a ser acompanhado pelo Ministério Público de Mato Grosso após a vítima relatar os abusos a advogados logo após deixar a prisão.

Histórico de denúncias

Além do episódio mais recente, advogados criminalistas formalizaram, ainda em dezembro, denúncia contra a delegacia com base nos prints vazados. A Corregedoria-Geral confirmou que recebeu o material nesta semana.

Há também registros anteriores de possíveis abusos envolvendo a mesma equipe. Em janeiro de 2024, uma jovem denunciou ter sido agredida por policiais, levada para um matagal e ameaçada de violência sexual enquanto era pressionada a fornecer informações sobre um homicídio. Segundo a denúncia, o caso não avançou.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso e o Tribunal de Defesa das Prerrogativas informaram que encaminharam ofícios à Corregedoria solicitando providências e acompanhamento rigoroso das apurações.

Apuração em curso

A Polícia Civil informou, em nota, que irá verificar a autenticidade das mensagens, apurar o contexto em que foram publicadas e investigar eventuais desvios de conduta de servidores.

A instituição reforçou que não compactua com práticas ilegais e que eventuais responsáveis serão punidos.

Fonte:Metrópoles