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A discussão sobre a composição da chapa de reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) ganhou novos contornos nos bastidores, com a crescente defesa de um nome feminino para a vice. Ainda sem definição oficial, o debate revela mais do que uma escolha de perfil: escancara a disputa interna entre partidos da base aliada e a tentativa de reposicionamento político para 2026.

Nas últimas horas, o nome da presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Ivana Bastos (PSD), passou a circular com mais intensidade como opção. Aliados enxergam na parlamentar um perfil capaz de agregar politicamente e, ao mesmo tempo, atender a uma demanda crescente por maior representatividade feminina nas chapas majoritárias. A defesa pública desse caminho indica que a tese deixou de ser apenas simbólica e passou a integrar o jogo real de forças. A pessedista, reconhecida também pelo perfil municipalista, foi a deputada estadual mais votada na última eleição, com 118.417 votos.

Ao mesmo tempo, a eventual substituição do atual vice, Geraldo Júnior, adiciona um componente delicado à equação. Embora ainda não haja sinalização oficial de ruptura, o simples fato de seu nome estar sendo colocado em xeque evidencia que a montagem da chapa não será automática, como defende Jaques Wagner. A depender das negociações, a vice pode deixar de ser apenas um espaço de continuidade para se tornar moeda estratégica de recomposição política. 

Dentro desse cenário, lideranças como o senador Otto Alencar, que se reuniu com Jerônimo nesta segunda-feira (30), têm adotado discurso cauteloso, reforçando que não há nada fechado e que a escolha será construída coletivamente. A fala pública, no entanto, contrasta com a intensidade das articulações nos bastidores, onde partidos como PSD e MDB buscam ampliar espaço e influência na futura composição. 

A pressão por uma mulher na vice também dialoga com um movimento mais amplo da política nacional, em que a presença feminina em cargos majoritários tem sido cobrada não apenas como questão de representatividade, mas como estratégia eleitoral. Nesse contexto, a eventual escolha de uma mulher pode servir tanto para renovar a imagem da chapa, quanto para equilibrar forças dentro da própria base.

Na semana passada, em entrevista ao BNews, a vereadora Marta Rodrigues (irmã de Jerônimo) defendeu a ampliação da participação feminina nos espaços de poder ao ser questionada se defende uma mulher ocupe espaço na chapa petista. “Eu sou defensora da tese de que ‘quanto mais mulheres melhor’. Nós queremos assumir mais postos, mas uma vice já ajuda a gente para dar mais visibilidade, para fazer um debate, em campanhas, em temas importantes”, disse a vereadora.

Nesse contexto, um fator externo também entra no cálculo político. O ex-prefeito de Salvador ACM Neto lançou uma composição majoritária formada apenas por homens, com Zé Cocá na vice e Angelo Coronel e João Roma nas duas vagas ao Senado. A configuração adversária, sem presença feminina, pode pesar na decisão de Jerônimo, ao abrir espaço para que o grupo governista aposte em um diferencial de imagem e representatividade na montagem da chapa. 

Apesar de cotada, Ivana Bastos resiste em ser a escolhida, já que teria uma reeleição de mandato e, consequentemente a recondução para a Mesa Diretora da Alba, garantidas diante da capilaridade eleitoral conquistada nos últimos anos. Ela jamais aceitaria ser uma vice decorativa. Jerônimo, contudo, parece não querer desistir de fazê-la mudar de ideia. As próximas horas serão decisivas.

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