
Um ofício da Assessoria de Comunicação da Polícia Civil da Bahia (PCBA) que trata da padronização das rotinas de divulgação das atividades da instituição gerou preocupação entre profissionais da imprensa em Feira de Santana. O documento, datado de 3 de março de 2026, estabelece normas para centralizar a divulgação de informações relacionadas às ações da corporação.
De acordo com o ofício nº 090/2026, com base na Lei Orgânica da Polícia Civil e na Portaria nº 292 de 10 de setembro de 2025, as informações de interesse público sobre atividades da instituição devem ser divulgadas exclusivamente pela Assessoria de Comunicação Social da Polícia Civil (Ascom-PCBA) ou por autoridades policiais previamente autorizadas pelo Gabinete do Delegado-Geral.
Entre as orientações, também está a recomendação de evitar práticas como o acompanhamento de equipes de reportagem em ações e operações externas, a circulação de jornalistas nas dependências das unidades policiais e entrevistas concedidas por delegados sem alinhamento prévio com a assessoria de comunicação.
O documento cita ainda a necessidade de preservar procedimentos investigativos, evitar prejuízos às operações policiais e proteger a imagem de policiais e demais pessoas envolvidas nas ocorrências. Também está prevista a implantação de Núcleos de Comunicação nos Departamentos Operativos e nas Diretorias Regionais da Polícia Civil.
A região de Feira de Santana foi mencionada no ofício como um dos pontos mais críticos do estado, com a sugestão de adoção de um novo formato de atendimento nos complexos policiais, incluindo restrições à circulação de jornalistas nas estruturas da instituição.
Diante das medidas, o Sindicato dos Profissionais de Rádio e TV de Feira de Santana manifestou preocupação e classificou as diretrizes como um possível cerceamento ao exercício da atividade jornalística. Em nota, a entidade afirmou que recebeu “com estranheza” a circulação do documento e destacou que as restrições podem comprometer a transparência na relação entre a Polícia Civil e a sociedade.
Segundo o sindicato, não se trata de buscar privilégios no acesso às informações, mas de garantir o respeito ao trabalho da imprensa e a manutenção do fluxo de informações à população.
O tema motivou uma reunião realizada na tarde desta quinta-feira (12), no Complexo do Sobradinho, entre representantes da imprensa e da Polícia Civil para discutir os impactos das medidas na rotina de trabalho dos jornalistas.
De acordo com o sindicato, durante contato telefônico pela manhã, o vice-presidente da entidade, Denivaldo Costa, conversou com o coordenador regional da 1ª Coorpin, delegado Rafael de Almeida Oliveira, que informou que a situação poderia ter sido resultado de um equívoco e que o assunto seria debatido no encontro.
Até o momento, a Polícia Civil não divulgou posicionamento oficial sobre possíveis alterações nas diretrizes após a reunião.
Fonte:De olho na cidade
0 Comentários