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A Polícia Militar começou a instalar, nesta quinta-feira, barreiras contra o roubo de veículos e de cargas na comunidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. Os blocos Jersey são peças de concreto instaladas nas entradas da comunidade para dificultar a passagem de veículos e caminhões de grande porte, numa tentativa de diminuir os índices dos dois crimes na região. As barreiras, pintadas de azul e amarelo, são colocadas de forma espaçada e em lados alternados da via, forçando carros e caminhões a fazerem um zigue-zague. Pedestres e motos conseguem passar sem ter de desviar.
A instalação foi feita por equipes da Coordenadoria de Polícia de Proximidade (CPP). Até o meio da tarde desta quinta-feira, não haviam sido registrados confrontos no local. Segundo a Secretaria de Polícia Militar (SEPM), a ação segue o mesmo modelo aplicado no Complexo da Maré, "que representou uma queda exponencial dos índices de criminalidade naquela região". Na região, em outubro do ano passado, a megaoperação das polícias Civil e Militar terminou com 122 mortos, entre eles cinco policiais.
Queda nos índices na Maré
No Complexo da Maré, as primeiras "barricadas" da PM foram instaladas em setembro de 2024. Em março do ano passado, novos blocos foram colocados em 12 dos 22 acessos ao conjunto de favelas. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), em 2025 foram registrados 194 roubos de carga na área do 22º BPM (Maré), responsável pelo policiamento no complexo e em bairros no entorno, como Bonsucesso, Manguinhos, Ramos e Benfica. O número representa uma redução de 36% em relação a 2024, quando houve 302 ocorrências do tipo na área.
O roubo de veículo também caiu na Aisp (Área Integrada de Segurança Pública) 22 no ano passado: 574 carros e motos tiveram registro de roubo ali, uma queda de 50% na comparação com 2024, quando houve 1.148 registros. No primeiro bimestre deste ano, a área do batalhão da Maré teve 47 ocorrências de roubo de carga, uma diminuição de 13% na comparação com os mesmos dois meses de 2025. O roubo de veículo também teve queda, diminuindo 21% em relação ao primeiro bimestre do ano passado (de 141 veículos roubados para 111).
Apesar das críticas de moradores e ONGs, os primeiros Jerseys na Maré foram instalados na Nova Holanda, dominada pelo Comando Vermelho. Em seguida, áreas da Vila do João e da Vila dos Pinheiros, estas ocupadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), receberam os obstáculos. Cercado pelas três principais vias expressas do Rio — as linhas Amarela e Vermelha e a Avenida Brasil —, o complexo é formado por 15 comunidades, dominadas pelas duas facções.
Em março do ano passado, quando a maior parte dos blocos foi instalada, a medida foi comemorada Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Rio (Sindicarga):
— A extensão da adoção dessa medida é apoiada pelo Sindicarga, pois, notadamente, veículos de grande porte somente entram em comunidades se são produtos de roubo — afirmou à época Filipe Coelho, presidente do Sindicarga.
Já a ONG Redes da Maré criticou a instalação das barreiras.
— É estranho que a PM utilize um recurso que, historicamente, questiona: o fato de redes ilícitas colocarem esse tipo de barreira para impedir a entrada da polícia — disse Eliana Souza, diretora da ONG.
Extra o Globo
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