Delegada aponta crescimento da violência psicológica contra mulheres em Feira

A violência contra a mulher segue sendo um desafio persistente em Feira de Santana, atingindo vítimas de diferentes perfis sociais. Em entrevista ao Jornal do Meio Dia, a delegada Lorena Almeida, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) de Feira de Santana, detalhou os tipos de violência mais recorrentes, os obstáculos enfrentados pelas vítimas e os mecanismos de proteção disponíveis.

Segundo a delegada, a legislação brasileira reconhece diversas formas de violência doméstica, previstas na Lei Maria da Penha.

“A lei prevê violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Hoje, o maior número de registros que temos são de violências morais e psicológicas”, afirmou.

Dra. Lorena destacou que a violência psicológica ganhou mais força no enfrentamento legal após passar a ser considerada crime autônomo.

“São atos de humilhação, manipulação e chantagem, que muitas vezes marcam o início do ciclo da violência. Mesmo antes da agressão física, a mulher já sofre danos e precisa denunciar para evitar que essa violência evolua”, explicou.

A delegada reforçou que a violência doméstica não está restrita a um perfil específico de vítima.

“A violência não escolhe vítimas. Atinge mulheres de todas as classes sociais, níveis de escolaridade, profissões e bairros”, pontuou.

Apesar disso, ela observa que mulheres com maior poder aquisitivo ou grau de instrução, muitas vezes, deixam de denunciar.

“Muitas não registram ocorrência por medo ou vergonha. Por isso, os números são maiores entre mulheres de classes mais baixas, mas isso não significa que sejam as únicas vítimas”, alertou.

Entre os principais obstáculos para romper o ciclo de violência estão fatores emocionais e culturais.

“Existe vergonha, falta de apoio familiar e uma pressão social para manter o relacionamento a qualquer custo. Muitas mulheres acreditam que conseguem mudar o agressor ou até se culpam pela situação”, destacou.

A delegada também chamou atenção para o papel da violência psicológica nesse processo.

“A mulher é manipulada para acreditar que está errada. Isso faz com que ela perca a coragem de denunciar”, disse.

Um dos principais instrumentos de proteção às vítimas são as medidas protetivas de urgência, que podem ser solicitadas na delegacia ou até por meio digital.

“A medida protetiva é, sim, eficaz. Ela impede o agressor de se aproximar ou manter qualquer tipo de contato com a vítima. Se ele descumprir, já comete crime e pode ser preso”, explicou.

Além disso, a vítima passa a ser acompanhada por uma rede de proteção integrada.

“Em Feira de Santana, temos uma rede forte, com atuação da DEAM, Ronda Maria da Penha, Secretaria da Mulher, Defensoria Pública e Ministério Público”, ressaltou.

A delegada fez um alerta direto às mulheres que ainda vivem em situação de violência.

“Nenhum feminicídio acontece do nada. Ele é o resultado de um ciclo de violências que vai se agravando ao longo do tempo”, afirmou.

Ela reforçou a importância de reconhecer os sinais e agir o quanto antes.

“Muitas vítimas acreditam que o agressor não seria capaz de algo mais grave. Infelizmente, é isso que muitas mulheres pensaram antes de perder a vida. É preciso romper esse ciclo”, concluiu.

Fonte:De olho na cidade