Drones são usados em fiscalização

Motoristas que circulam por rodovias federais podem ser multados após flagrantes feitos por drones utilizados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). As aeronaves ampliam o alcance da fiscalização e permitem identificar infrações à distância, sem necessidade de parada imediata do veículo.

Na prática, os equipamentos funcionam como um reforço à observação dos agentes em campo. A partir das imagens captadas do alto, as equipes conseguem registrar irregularidades por videomonitoramento ou acionar viaturas posicionadas mais adiante para realizar a abordagem do condutor.

Segundo o coordenador-geral de segurança viária da PRF, Jeferson Almeida, o uso desse tipo de tecnologia já ocorre em diferentes estados brasileiros desde 2023. “Santa Catarina é o estado mais avançado nesse tipo de fiscalização, porque a região metropolitana de Florianópolis é um trecho muito complicado para fiscalizar com abordagem”, afirmou para a revista Quatro Rodas.

Os drones são empregados principalmente em pontos onde a presença de equipes na pista poderia comprometer o fluxo de veículos ou reduzir a eficiência da fiscalização. Trechos com trânsito intenso, curvas, áreas de visibilidade limitada e regiões metropolitanas com tráfego complexo estão entre os locais priorizados pelas operações.

Para operar os equipamentos, a corporação segue exigências técnicas específicas. As aeronaves precisam estar registradas na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e os policiais responsáveis passam por capacitação e certificação próprias para esse tipo de atividade.

Infrações fiscalizadas

Entre as infrações mais frequentemente identificadas estão o uso indevido do acostamento - tanto para circular quanto para ultrapassar outros veículos - prática considerada gravíssima e que resulta em multa de R$ 880,41 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação. O monitoramento remoto também permite flagrar motoristas utilizando o celular ao volante, sem cinto de segurança e caminhões trafegando de forma irregular pela faixa da esquerda.

Outro recurso presente nas aeronaves é o sensor térmico. A tecnologia permite identificar, por exemplo, superaquecimento nos freios de caminhões, situação que pode indicar risco de falha mecânica e possibilita a orientação preventiva ao motorista antes que ocorra um acidente.

A fiscalização com drones tem respaldo na Resolução 909 do Conselho Nacional de Trânsito, que autoriza o registro de infrações por videomonitoramento e a aplicação de autuações mesmo sem abordagem direta. A norma estabelece, porém, que os trechos fiscalizados devem estar sinalizados com placas informando a presença desse tipo de monitoramento.

De acordo com a PRF, a tecnologia também facilita a atuação em locais onde seria difícil manter fiscalização contínua com viaturas, ampliando a capacidade de identificar comportamentos de risco e reforçando o monitoramento em pontos estratégicos das rodovias federais. 

Correio