MC Ryan SP

O influenciador digital e cantor Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, foi preso temporariamente nesta quarta-feira, 15, alvo de operação da Polícia Federal. Classificado como líder e beneficiário econômico de um esquema de lavagem de dinheiro, o grupo do qual fazia parte é suspeito de lavar valores superiores a R$ 1,6 bilhão em dinheiro em apenas 24 meses.

A estrutura promovida pelo funkeiro aproveitava empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos oriundos de apostas ilegais, tráfico de drogas e rifas digitais através da “instrumentalização de pessoas físicas”.

Segundo apurado, o Ryan teria estruturado mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias a familiares e pessoas interpostas, utilizando operadores financeiros para distanciar o capital ilícito de sua pessoa física antes de reinseri-lo na economia formal “mediante aquisição de imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor”.

Além de Ryan, também estavam envolvidos Marlon Brendon Coelho Couto Silva, conhecido como MC Poze do Rodo, o empresário influenciador Chrystian Mateus Dias Ramos, conhecido como Chrys Dias e Raphael Sousa, criador da página "Choquei". Conforme as investigações, Chrys atuava como um financiador relevante do sistema. “Ao transferir recursos provenientes de rifas digitais para empresas ligadas a Ryan. Raphael é apontado como operador de mídia da organização, "recebendo altos valores diretamente de Ryan”.

Conforme o delegado regional Polícia Judiciária, Marcelo Maceiras, a escolha de artistas e influenciadores era estratégica. Com milhões de seguidores e alta circulação financeira, esses nomes conseguiam movimentar grandes quantias sem levantar alerta imediatos nos sistemas de compliance bancário.

— Essas pessoas públicas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos. Então eles são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações, por essa estrutura de lavagem — disse.

O dinheiro ilícito, continuou o delegado, vinha do tráfico, bets e rifas ilegais, e era "limpo" ao ser pago a esses artistas como se fosse por publicidade regular, permitindo que eles adquirissem patrimônio de luxo e ostentassem na internet.

O esquema também utilizava processadoras de pagamentos legalmente constituídos para fazer circular o dinheiro e descentralizar os recursos por meio de "contas de passagem" e laranjas.

Para dificultar o rastreamento, o grupo utilizava processadoras de pagamento e realizava centenas de transferências fracionadas — técnica conhecida como “smurfing” — além de recorrer a “laranjas” e empresas de fachada para dispersar os recursos.

No exterior, a organização recorria a ativos digitais, especialmente a criptomoeda USDT (Tether), para remessas internacionais e ocultação de patrimônio.

A defesa do funkeiro diz que "até o presente momento" não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, "razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos". A defesa do MC Poze do Rodo também disse que "desconhece os autos ou teor do mandado de prisão", e que "com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário".

O Globo tenta contato com a defesa dos demais envolvidos, o espaço segue aberto.

A Operação Narco Fluxo é um desdobramento da "Operação Narcobet" (do final de 2025) e da "Operação Narcovela" (de abril de 2025). Tudo começou, segundo as autoridades, com uma apreensão de drogas em um veleiro ainda em 2023. Até o momento, a operação prendeu 33 dos 37 alvos.

Quem é Ryan

Natural de São Paulo, MC Ryan SP, de 25 anos, se consolidou como um dos artistas mais ouvidos da Geração Z, acumulando milhões de reproduções nas plataformas digitais e mais de 15 milhões de seguidores no Instagram. Ele ganhou notoriedade com sucessos como “Revoada Sem Você”, “Favela” e “Vergonha Para Mídia”, além do estilo ostentação, marcado pela exibição de carros de luxo nas redes sociais.

Nos últimos anos, o cantor também se envolveu em uma série de episódios controversos fora dos palcos. Entre eles, a prisão após realizar manobras com uma Lamborghini no gramado do Estádio Barão da Serra Negra, em Piracicaba — sendo solto após pagar R$ 1 milhão de fiança —, a divulgação de um vídeo de agressão à ex-namorada, que resultou em rompimento de contratos comerciais, e abordagens policiais após publicar vídeos dirigindo acima do limite de velocidade.

O artista ainda protagonizou polêmicas como a ausência em um show no Rock in Rio, o que levou ao cancelamento de uma honraria concedida pela Câmara do Rio, e a repercussão internacional ao divulgar imagens dentro da mansão do jogador Cristiano Ronaldo, em Portugal, durante obras no imóvel. 

Fonte:Extra o Globo