Maria Eduarda foi lançada sem cordas

Preso pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo, João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva divulgou uma carta na qual nega ter retirado a câmera que estava com a jovem após a queda. O equipamento, uma GoPro, ainda não foi localizado e é considerado peça-chave pela investigação para reconstruir os momentos posteriores ao acidente.

Na carta divulgada por sua defesa à imprensa, João pede ajuda da mídia e de pessoas que estavam no local no dia da tragédia para localizar a câmera, que, segundo ele, pode ajudar a esclarecer o que aconteceu após o salto.

"Eu venho pedir a ajuda da mídia para investigar as imagens e descobrir onde está essa câmera, pois essa câmera vai esclarecer o que houve após o salto", escreveu.

João está preso temporariamente e teve a detenção prorrogada por mais 30 dias. Segundo o Ministério Público, ele teria retirado a câmera das mãos de Maria Eduarda logo após a queda, o que configuraria supressão de prova. O suspeito, no entanto, nega a acusação.

No relato, ele afirma que atuava na base da ponte apenas para soltar as cordas utilizadas pelos participantes e que correu até a vítima após ouvir o barulho da queda. "Eu coloquei a mão no pescoço e vi que tinha batimento cardíaco e respiração", disse na carta.

Ainda segundo João, diversas pessoas desceram até o local após o acidente e ele ajudou as equipes de resgate e os bombeiros durante o atendimento à vítima.

O Ministério Público sustenta, porém, que uma testemunha viu João retirar a câmera das mãos da jovem segundos após a queda. Em depoimento à Polícia Civil, ele negou ter pegado o equipamento.

A investigação também apura a conduta de outros integrantes do grupo responsável pelo salto. Além de João, outras duas pessoas foram presas temporariamente por suspeita de destruição de provas e omissão de informações durante as investigações.

Os três instrutores que aparecem nas imagens lançando Maria Eduarda da ponte já foram indiciados por homicídio com dolo eventual. Eles seguem presos preventivamente.

Maria Eduarda morreu após ser lançada de uma altura aproximada de 40 metros sem estar conectada às cordas de segurança durante a prática de rope jump na chamada Ponte do Esqueleto, em Limeira.

Leia a carta na íntegra:

"Eu João Antonio Pivetta venho através dessa carta prestar a minha versão. Eu estava prestando um serviço (bico) para a empresa Entre Cordas sem saber que a empresa era clandestina.

Eu fiquei apenas na parte de baixo da ponte e apenas soltava a corda para a pessoa subir a pé. No momento do ocorrido eu estava soltando outro cliente quando ouvi o barulho e corri até a Maria Eduarda.

Eu coloquei a mão no pescoço e vi que tinha batimento cardíaco e respiração. Então chamei ajuda pelo rádio.

Eu venho pedir a ajuda da mídia para investigar as imagens e descobrir onde está essa câmera, pois essa câmera vai esclarecer o que houve após o salto.

Peço também a ajuda de quem estava na ponte no dia, pois as gravações podem ajudar a esclarecer os fatos.

Eu sou apenas um trabalhador comum, um pai tentando complementar a renda para pagar as contas e educar os filhos.

Por favor, ajudem a achar essa câmera."

Fonte:Correio