
O empresário Marcelo Magalhães de Almeida, de 31 anos, desaparecido em Carapicuíba, na Grande São Paulo, teria sido atraído para uma emboscada por um amigo com quem mantinha um relacionamento íntimo, segundo a Polícia Civil. A investigação aponta que ele foi sequestrado e morto após criminosos transferirem cerca de R$ 8 mil de suas contas.
Lucas Soares de Lima, conhecido como “Quadrado”, é apontado pelos investigadores como o responsável por planejar o crime. Ele teria chamado Marcelo até o local onde ocorreu o sequestro com ajuda do irmão, Paulo Sérgio Soares de Almeida, e de Júlio César Moura Batista. Os três foram presos temporariamente.
A polícia agora tenta localizar o corpo do empresário e procura um quarto suspeito de participação no caso. Os envolvidos devem responder por homicídio qualificado, sequestro e ocultação de cadáver.
Segundo a investigação, Lucas já vinha extorquindo Marcelo, exigindo dinheiro, presentes caros e até um apartamento. A polícia acredita que ele usava informações sobre a vida amorosa do empresário para fazer as cobranças.
A denúncia que ajudou a polícia a chegar aos suspeitos partiu da mãe de Lucas, Zemira Santos Soares. Em depoimento, ela contou que o filho Paulo Sérgio foi até sua casa no dia 17 de julho e teria relatado que Lucas havia criado “um problemão” e queria envolver outras pessoas.
Ainda segundo o relato, Lucas apareceu no apartamento da mãe alterado e teria ameaçado “matar todo mundo”. Questionado sobre o que havia acontecido, ele teria dito que “se a mãe tivesse dado os 700 reais que teria pedido emprestado, não teria que gastar com caixão e nada disso teria acontecido”.
Depois, Zemira teria recebido da namorada de Paulo Sérgio a informação de que os dois filhos e Júlio César haviam roubado e matado uma pessoa conhecida. Com isso, ela procurou a delegacia e denunciou os envolvidos.
Conforme a Polícia Civil, o grupo levou Marcelo para uma área de mata próxima a um córrego em Carapicuíba, onde o corpo teria sido deixado. Parte do dinheiro retirado das contas do empresário teria sido enviada para contas ligadas a familiares de Lucas. Uma das transferências, de R$ 3,8 mil, teria sido feita usando a conta da mãe da namorada do suspeito.
No celular de um dos investigados, a polícia encontrou um vídeo em que Marcelo aparece amordaçado e deitado em uma cama. Também foi localizada uma foto de um suspeito sentado sobre o carro usado pelo empresário no dia do desaparecimento.
Desaparecimento virou investigação de homicídio
Marcelo foi visto pela última vez na noite de quinta-feira (16), após sair de um bar na Estrada da Fazendinha. O carro blindado dele foi encontrado abandonado horas depois, e o celular indicou uma localização próxima a uma área de mata.
Inicialmente, o caso foi registrado como desaparecimento, mas os elementos reunidos pela polícia levaram a investigação a apontar um possível sequestro seguido de morte.
De acordo com a apuração, Marcelo teria sido levado para um imóvel ao qual um dos suspeitos tinha acesso. No local, ele teria sido mantido em cárcere enquanto os criminosos faziam transferências bancárias. Depois, a vítima teria sido levada para uma comunidade da região.
A Polícia Civil encontrou vestígios de sangue nos locais investigados, mas os laudos periciais ainda não foram concluídos.
As buscas mobilizaram equipes da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Guarda Civil Municipal, com apoio de cães farejadores, drones e do helicóptero Águia. Os animais localizaram possíveis rastros do empresário em uma área de mata.
Prisões
O primeiro suspeito foi preso pela Polícia Militar na sexta-feira (17). Ele já era procurado por outro crime e acabou levado ao 1º Distrito Policial de Carapicuíba, onde os investigadores identificaram indícios de envolvimento no desaparecimento.
Após análise de imagens de câmeras de segurança, documentos e depoimentos, a Polícia Civil pediu a prisão temporária dos demais suspeitos. Paulo Sérgio e Júlio César foram presos no domingo (19), em Carapicuíba.
Um quarto investigado já foi identificado, mas continua foragido. A polícia segue com as buscas pelo corpo de Marcelo e trabalha para esclarecer a participação de cada envolvido no crime.
Correio
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