Imagem de Apreensão de madeira sem droga expõe irritação da PF com a Receita Federal

Uma apreensão de 260 toneladas de madeira pela Receita Federal, após suspeita de que esconderia uma carga de cocaína, expôs de vez a irritação da Polícia Federal com a corporação. Laudos da polícia constaram que não havia presença da droga.

A avaliação é que há uma clara violação de competências por parte da Receita, já que as investigações sobre o tráfico internacional de drogas são de competência exclusiva da PF.

O clima, que já não era bom, azedou quando a Receita Federal deflagrou a Operação Timber Shield, em junho, ao reter oito caminhões transportando centenas de toneladas de madeira sob a suspeita de ocultar droga.

A ação foi feita em cooperação com autoridades dos Estados Unidos e da Bolívia. Na época, o órgão divulgou a operação como a maior do país.

O material foi para a perícia e os laudos da PF mostraram que não havia presença de cocaína no material. Por isso, a corporação abriu um inquérito para investigar as circunstâncias que levaram à retenção da carga.

Integrantes da cúpula da Polícia Federal criticam a tentativa da Receita de usurpar funções e afirmam, sob reserva, que a prática, além de ser crime, pode anular grandes operações. Além disso, lembram que muitas delas acabam atrapalhando os trabalhos da PF.

Uma parte da corporação diz que o desgaste provocado entre os órgãos é visível. A PF diz que cada um terá que responder pelos seus atos, além de prever uma indenização aos afetados.

A irritação, no entanto, não é de hoje. Em maio, a Polícia Federal abriu inquéritos para apurar a conduta de auditores da Receita Federal nas gravações de um programa sobre o trabalho feito pelo órgão nos aeroportos do país.

Policiais apontam possíveis casos de usurpação de função, abuso de autoridade e porte irregular de armas.

 Por Gabriela Echenique/Folhapress