
Quem será o primeiro finalista da Copa do Mundo? A resposta para essa pergunta sairá do confronto entre França e Espanha, no AT&T Stadium, a partir das 16h. Além de definir quem joga a final, a partida vai colocar em um embate duas histórias diferentes que convergem dentro do contexto geopolítico que abarca os dois países.
Na maior Copa do Mundo de todos os tempos, a imigração foi um tópico debatido desde antes do torneio iniciar. Ao todo, foram 258 jogadores nascidos fora do país que representaram no Mundial. Essa diáspora foi apontada como um dos motivos para o sucesso de seleções europeias, como a França. O ex-primeiro-ministro da Espanha Mariano Rajoy foi o autor da mais recente declaração racista sobre o tema.
Rajoy escreveu que a seleção francesa joga "sem franceses". No entanto, dos 26 jogadores convocados pelo técnico Didier Deschamps, apenas três nasceram fora da França. São eles Michael Olise, Marcus Thuram e Brice Samba. Os demais nasceram em território francês, sendo muitos filhos ou netos de imigrantes.
Para além da discussão sobre nacionalidade, o território também é protagonista do jogo entre França e Espanha. O País Basco é uma região histórico-cultural localizada entre o norte da Espanha e o sudoeste da França. Os bascos, povo que busca a reivindicação de seu território, nunca estiveram tão presentes na Copa do Mundo, principalmente na Fúria. Unai Símon, Oyarzabal, Merino, Nico Williams, Laporte e Zubimendi são os representantes.
A multiculturalidade que compreende os dois países reflete diretamente no futebol, principalmente pelas formas de jogar menos conservadoras de ambos os times. Se a França ganhar, essa será a terceira final seguida do país na Copa do Mundo. Vencendo o torneio, o feito do Brasil de três finais em sequência e dois títulos conquistados será igualado. Já os espanhóis buscam o seu segundo título para coroar uma nova geração.
O confronto mais esperado
Durante o torneio, a França terminou como líder do Grupo I após três vitórias sobre Senegal, Iraque e Noruega. Em seus três jogos nos mata-matas até agora, se classificou sem dificuldades e sem sofrer gols, derrotando a Suécia, o Paraguai e o Marrocos.
Já a Espanha do técnico Luis de la Fuente também ganhou seu grupo, o H, com sete pontos, após empatar com Cabo Verde e derrotar a Arábia Saudita e o Uruguai. Nas oitavas de final, goleou a Áustria e conquistou vitórias dramáticas sobre Portugal e Bélgica.
A expectativa do confronto é também por causa do duelo entre dois dos maiores talentos do futebol mundial: Kylian Mbappé e Lamine Yamal. Os dois se enfrentarão pela primeira vez em uma Copa do Mundo, mas este está longe de ser o primeiro duelo entre os atacantes de Real Madrid e Barcelona, respectivamente.
Antes do jogo, o jovem espanhol “botou lenha na fogueira” ao declarar que a França deveria temer a Espanha. “Somos as duas melhores seleções. Sem nenhum medo. Se alguém pode ir com segurança contra a França, somos nós”, disse. A declaração foi respondida pelo zagueiro Konaté. “Ele pode falar o que quiser, vamos tentar nos preparar da melhor forma. No fim do jogo, veremos quem levou a melhor”, deu o recado.
Na Euro 2024, a Fúria venceu a França por 2x1, em Munique, com um dos gols marcado por Yamal. Um ano depois, os dois países voltaram a medir forças em Stuttgart, pela semifinal da Liga das Nações da UEFA. Na ocasião, a Espanha voltou a levar a melhor sobre a seleção de Didier Deschamps ao vencer por 5x4, com dois gols de Yamal e um de Mbappé.
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