https://www.bnews.com.br/media/_versions/2026/07/paciente-assediada-por-medico-em-salvador-detalha-abuso-pegou-nos-meus-seios-acariciou-e-riu-assista_widelg.jpeg

O que deveria ser o retorno para avaliar a recuperação de uma lesão no dedo transformou-se em um caso de polícia. Na última terça-feira (7), uma paciente, de 18 anos, denunciou um médico ortopedista, de 49 anos, por importunação sexual durante uma consulta na Unidade de Emergência de Pirajá, em Salvador. O profissional foi preso em flagrante por uma guarnição da Polícia Militar da Bahia (PMBA).

A jovem, que teve a identidade preservada, detalhou ao BNEWS como a consulta mudou de rumo após o médico solicitar novos exames de raio-x. Segundo ela, ao retornar à sala pela terceira vez, o comportamento do profissional mudou drasticamente.

O relato da vítima
A paciente descreveu com detalhes os momentos que antecederam a agressão no consultório: "Quando eu retornei pela terceira vez na sala dele, ele levantou da cadeira, trancou a porta, uma coisa que ele não tinha feito em atendimento nenhum comigo, trancou a porta e pediu para que eu levantasse a blusa para ele analisar minhas costas. Eu levantei, só até a altura dos seios, a ponto de não mostrar nada. Só que ele, próprio, colocou a mão dele, começou a subir mais a blusa e falou que não era para ter vergonha do médico, porque ele estava ali para atender, para me ajudar. E eu, não maldei, maldei um pouco, mas não muito, confiei por ser um especialista".

“Ele baixou meu zíper e me puxou pela cintura”
A vítima continuou o relato, descrevendo a abordagem física do médico:

"Depois disso, ele pediu para eu folgar um pouco a calça. Eu tirei somente o botão, porque era o suficiente para ele analisar as minhas costas. Se eu tirasse mais que isso, seria um pouco mais além. Só que o próprio, pediu para ficar de costas para ele, quando eu fiquei, ele colocou a mão no meu zíper e baixou até o final. Depois disso, ele baixou um pouco minha calça, pediu para segurar no joelho. Quando eu segurei no joelho, ele foi se aproximando de mim, nessa que ele se aproximou, ele pediu para baixar mais um pouco, segurando na minha canela, e ele me puxou pela cintura, fazendo com que encostasse nas partes íntimas dele, a ponto de eu sentir."


“Eu não queria acreditar que aquilo estava acontecendo comigo”
Questionada sobre como reagiu diante da situação, a jovem afirmou que o choque inicial a impediu de compreender de imediato o que ocorria.

"No momento, eu não queria acreditar que aquilo estivesse acontecendo comigo, porque eu vejo algumas mulheres passando por isso, mas a gente nunca, a gente nunca imagina que vai acontecer com a gente. No mesmo instante, eu me virei, peguei a minha blusa para vestir, quando eu me virei, novamente, ele pegou nos meus seios, ah, fez, acariciou e estava perguntando o que tinha nos meus seios, sendo que não tem nada, era só um modo de ele mexer. Após isso, eu fechei a cara para ele, ele deu uma risada meio debochada da minha cara, sentou novamente e me passou várias guias de exames que não tem nada a ver com o meu problema, sendo que o meu problema era na ponta do dedo."

Ao ser questionada se essas guias seriam uma forma de justificar a conduta, a vítima respondeu: "Exatamente".

O caso foi formalizado na DEAM (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher). O suspeito permanece custodiado à disposição do Poder Judiciário. A Sesab (Secretaria da Saúde da Bahia) informou que a diretoria da unidade de saúde acompanha a apuração e adotará as medidas administrativas cabíveis.

Prisão em flagrante e investigação
A ocorrência foi registrada por volta das 21h40, após acionamento do Centro Integrado de Comunicações (CICOM). Policiais militares da 9ª Companhia Independente da Polícia Militar (9ª CIPM) foram até o local e conduziram as partes.

A vítima e o suspeito foram levados à Central de Flagrantes (Cenflag), depois à Casa da Mulher Brasileira e, por fim, à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), onde o caso foi formalizado.

Segundo a Polícia Civil, a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam/Periperi) registrou a prisão em flagrante do médico pelo crime de importunação sexual. Após a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante (APF), ele permanece custodiado à disposição do Poder Judiciário.

Versão do médico e posicionamento da Sesab
Em depoimento, o médico negou a acusação. Ele afirmou que seria impossível a situação narrada ter ocorrido e disse que a porta do consultório estava fechada, porém destrancada.

Procurada, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou que a direção da unidade acompanha o caso e aguarda a apuração pelos órgãos competentes. A pasta afirmou ainda que adotará as medidas administrativas cabíveis, respeitando o devido processo legal.

BNEWS