Sem asfalto ou iluminação pública, Caraíva preserva o charme das ruas de areia e o transporte por canoas, mas agora enfrenta o desafio de manter sua essência diante da crescente tensão na segurança regional

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) denunciou à Justiça, nesta quinta-feira (16), quatro policiais militares e dois policiais civis pela morte de dois homens durante a denominada “Operação Travessia”, realizada em 10 de maio de 2025, no distrito de Caraíva, em Porto Seguro.

A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp) e inclui um pedido para que os servidores sejam afastados cautelarmente de suas funções enquanto o processo criminal estiver em andamento.

Segundo o órgão, os seis investigados responderão por dois homicídios qualificados. Entre as qualificadoras apontadas estão o motivo torpe, o uso de meio que colocou terceiros em risco, a impossibilidade de defesa das vítimas e a utilização de armamento de uso restrito.

As investigações indicam que os agentes integravam uma força-tarefa composta por integrantes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Polícia Militar, e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil. Conforme a apuração, a equipe atuou de forma coordenada, utilizando armamento pesado e equipamentos táticos durante a ação.

De acordo com o Procedimento Investigatório Criminal (PIC), uma das vítimas foi atingida por vários disparos em via pública sem ter condições de reagir. Já o segundo homem teria sido abordado, submetido a revista e, posteriormente, baleado. Perícias realizadas no corpo da vítima apontaram ainda sinais de agressões físicas anteriores aos disparos.

Além das acusações por homicídio, os dois policiais civis também foram denunciados por fraude processual. O MP sustenta que eles teriam adotado medidas para modificar a cena dos fatos após as mortes, com o objetivo de interferir na apuração do caso.

O Ministério Público informou ainda que eventuais condutas relacionadas à suposta prática de fraude processual por policiais militares serão analisadas separadamente pela Vara de Auditoria Militar, responsável pelo julgamento de casos dessa natureza.

Na avaliação do órgão, os elementos reunidos durante a investigação apontam que as mortes não ocorreram em uma situação efetiva de confronto armado. Para os promotores, as vítimas estavam em posição de vulnerabilidade no momento da abordagem policial, sem condições reais de oferecer resistência aos agentes. 

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