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O delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno, preso durante a Operação Ouroboros, no Rio de Janeiro. utilizava um veículo oficial da corporação para transportar e guardar dinheiro em espécie oriundo de contratos investigados do Instituto Rio Metrópole (IRM). A denúncia foi apresentada à Justiça pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

De acordo com as investigações, os valores eram sacados das contas de empresas contratadas pelo instituto logo após os pagamentos e levados para a sede da empresa Rio Forte Vigilância e Segurança Privada, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. No local, o dinheiro ficava armazenado até ser distribuído entre os integrantes da suposta organização criminosa.

De acordo com o MP, Franquis coordenava pessoalmente a operação e frequentava a empresa diversas vezes utilizando uma viatura da Polícia Civil, que, para os promotores, era colocada "a serviço do esquema".

A denúncia também afirma que, apesar da Rio Forte estar registrada em nome de Leilson de Souza Nepomuceno, pai do delegado, o controle da empresa seria exercido por Franquis.

Além de atuar no transporte dos valores, o delegado ocupou cargos estratégicos dentro do Instituto Rio Metrópole. Entre novembro e dezembro de 2023, recebeu poderes para praticar atos de gestão orçamentária, financeira e patrimonial da autarquia por delegação do então presidente do órgão, David Perini Vermelho, conhecido como Didê. Posteriormente, assumiu a Diretoria de Desenvolvimento do instituto.

Os dois foram presos na Operação Ouroboros, que investiga um suposto esquema de corrupção, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo contratos que somam mais de R$ 86 milhões.

Segundo o promotor de Justiça Décio Alonso, um dos desafios da apuração foi entender o funcionamento do Instituto Rio Metrópole:

"Essa investigação é uma constante descoberta de fatos novos. Primeiro foi a apresentação do instituto em si, que a maioria da população desconhecia a existência. O segundo foi tentar definir qual era o objeto de atuação, que até agora não conseguimos determinar", afirmou.

Para a promotora Roberta Jorio, as investigações apontam que a finalidade do instituto foi desvirtuada:

"O Instituto Rio Metrópole, que deveria ser utilizado para fins de gestão, melhoria e aprimoramento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, na verdade vinha sendo utilizado para fins de enriquecimento ilícito dessa organização criminosa", declarou.

Em nota, a defesa de David Perini Vermelho afirmou que os contratos investigados foram firmados pela gestão anterior do Instituto Rio Metrópole, que os aditivos seguiram a legislação e que o ex-presidente é inocente.

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