
A viúva de Leonardo Gil Lima, conhecido como Léo Lanches, usou as redes sociais para prestar uma homenagem ao marido e cobrar esclarecimentos sobre a morte dele durante uma ação da Polícia Militar, em São Cristóvão, bairro de Salvador. No texto publicado neste domingo (26), Erica Nascimento relata a dor da perda, descreve os momentos após o disparo e afirma que seguirá buscando justiça.
Leonardo foi baleado durante uma operação da 49ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM). Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Geral Menandro de Faria, mas não resistiu aos ferimentos. A ocorrência provocou revolta entre moradores da região, que realizaram protestos com bloqueios de vias, queima de pneus e um ônibus incendiado.
Companheira de Leonardo por 11 anos e mãe dos dois filhos do casal, Erica afirmou que vive o momento mais difícil de sua vida. Em um dos trechos do desabafo, ela lembrou que tentou salvar o marido após ele ser atingido. "Hoje eu não escrevo apenas com lágrimas nos olhos. Escrevo com o coração completamente despedaçado."
Ela também descreveu o impacto da cena vivida pela família. "Eu te carreguei nos meus braços tentando te socorrer, enquanto nossa família via o desespero tomar conta de tudo. Uma das nossas filhas presenciou o pai caído, coberto de sangue. Essa imagem jamais sairá das nossas vidas."
Ao recordar a trajetória do marido, Erica destacou que ele era um trabalhador dedicado, parceiro na lanchonete da família e um pai presente. "Para mim, você não era apenas mais um nome. Você era um homem trabalhador, um marido amoroso, um pai presente, um filho dedicado e um ser humano que fazia de tudo pela família."
Na publicação, ela também reforçou que deseja apenas o esclarecimento dos fatos. "Não busco vingança. Busco a verdade. Busco justiça. Busco respostas. Faço isso por você, pelos nossos filhos e por todos que te amam."
Relembre o caso
Conhecido na comunidade como Léo Lanches, Leonardo construiu sua trajetória vendendo lanches inicialmente em uma bicicleta, depois em uma motocicleta, até abrir o próprio estabelecimento, o Leo Lanches. Familiares e moradores afirmam que ele não tinha envolvimento com atividades criminosas.
Segundo relatos de moradores, a região estava sem energia elétrica quando equipes da PM entraram no bairro para uma operação. Durante a ação, Leonardo foi atingido por um disparo. As circunstâncias da ocorrência são investigadas.
Familiares contestam a versão de que houve confronto e afirmam que Leo
foi baleado propositalmente. Após a morte, parte dos manifestantes
seguiu até a sede da 49ª CIPM para cobrar esclarecimentos sobre a
operação e pedir justiça.
Em nota, a Polícia Militar informou que os agentes envolvidos foram afastados das atividades operacionais e que o caso será apurado. Segundo a corporação, equipes da 49ª CIPM realizavam patrulhamento em uma área com histórico de conflitos entre grupos criminosos quando identificaram disparos de arma de fogo. Ainda conforme a PM, Leonardo foi encontrado ferido, socorrido ao Hospital Geral Menandro de Faria, mas morreu na unidade.
A corporação acrescentou que os policiais utilizavam câmeras corporais durante a operação e que as imagens serão encaminhadas às autoridades responsáveis pela investigação. A Polícia Civil conduz o inquérito, enquanto a PM instaurou procedimento administrativo para analisar a atuação dos militares.
Leonardo foi sepultado na manhã de sábado (25), no Cemitério Bosque da Paz, em Salvador. O enterro reuniu familiares, amigos e moradores de São Cristóvão. Uma carreata acompanhou o cortejo, e a motocicleta utilizada por ele no trabalho foi levada ao cemitério em homenagem à sua trajetória. Durante a despedida, também houve manifestações pedindo a apuração completa do caso.
Correio
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