
Um eletricista de 68 anos confessou, perante o Tribunal Regional de Berlim, ter dopado e estuprado diversas mulheres entre 2016 e 2022. As informações foram divulgadas pelo veículo alemão Der Spiegel. A Promotoria de Berlim formalizou acusações em 22 casos e estima que o número total de vítimas chegue a 58.
Por meio de seu advogado de defesa, Jochen Schöfthaler, o réu confirmou a veracidade dos fatos apontados pela acusação, declarando: "Eu admito os estupros." O homem, que está sob custódia preventiva desde março, indicou que poderá prestar esclarecimentos detalhados em datas futuras do julgamento, iniciado na quinta-feira (6).
Dopava e filmava
Segundo o Ministério Público, o acusado atraía mulheres com idades entre 50 e 60 anos por meio de plataformas de relacionamentos na internet. Durante os encontros, ele administrava pílulas de dormir combinadas com bebidas alcoólicas para desacordá-las antes de cometer as agressões. O réu também filmava e fotografava os abusos.
As vítimas não tinham conhecimento do que havia acontecido e só souberam das agressões quando foram contatadas pela polícia durante as investigações, após a localização das gravações. Das 58 possíveis vítimas estimadas pelas autoridades, dez ainda não foram formalmente identificadas.
Conexão com outra investigação
As evidências contra o acusado foram descobertas após um alerta da polícia de Verden an der Aller, na Baixa Saxônia. No início de 2025, investigadores apuravam denúncias semelhantes contra outro suspeito — já falecido —, que mantinha conversas online e trocava materiais com o réu de Berlim.
O processo abrange acusações de estupro, lesão corporal grave e violação de intimidade, contendo quatro vítimas registradas como assistentes da acusação (coautoras). O julgamento será retomado em 18 de agosto. Além de requerer pena de prisão, a Promotoria de Berlim solicitou a aplicação de custódia preventiva de segurança
(Sicherungsverwahrung) após o cumprimento da pena.É uma medida de prevenção e proteção pública. Ela entra em vigor após o réu ter cumprido integralmente a sua pena de prisão, caso um laudo pericial/psiquiátrico ateste que ele continua oferecendo alto risco de cometer novos crimes graves (como estupros, assassinatos ou agressões graves).
Disfarces e substâncias sedativas
Segundo a denúncia da Promotoria, o acusado demonstrava uma postura romântica e charmosa na internet para convencer mulheres a visitarem seu apartamento. Para ganhar a confiança das vítimas, ele se apresentava por vezes sob falsas identidades, afirmando ser comissário de polícia, piloto da Força Aérea ou técnico em missões secretas.
Na residência, o homem oferecia bebidas alcoólicas misturadas com fortes substâncias sedativas. Quando as mulheres atingiam um estado de semiconsciência ou inconsciência total — sem qualquer capacidade de reação —, ele as estuprava e gravava as agressões em vídeo. Em um dos registros anexados ao processo, é possível ouvir uma das vítimas emitindo murmúrios de recusa e tentando afastar a mão do agressor enquanto permanecia dopada.
Correio
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