Odilson foi preso em flagrante

O delegado Odilson Pereira Silva foi preso por usar uma caminhonete de luxo apreendida em uma investigação que estava sob sua própria responsabilidade e, ao ser abordado por agentes da Corregedoria, trocado a placa do veículo para tentar ocultar a irregularidade. Os detalhes foram informados por fontes policiais consultadas pelo CORREIO e confirmados em decisão judicial. 

A Hilux prata circulava com uma placa, que, após consulta ao sistema Sinesp, foi identificada como pertencente a outro veículo, uma Volkswagen Saveiro. O automóvel havia sido apreendido no âmbito do inquérito policial presidido funcionalmente pelo próprio Odilson. A situação, no entanto, ficou ainda mais grave durante a abordagem.

Conforme fontes policiais, o delegado fechou o portão da residência e impediu que a equipe acompanhasse a ação por alguns minutos. Nesse intervalo, teria substituído a placa por outra identificação. A placa considerada adulterada acabou encontrada dentro da própria caminhonete.

A versão apresentada pela defesa foi diferente. Segundo a decisão, os advogados alegaram que a placa havia sido encontrada na rua pela esposa do delegado, que pretendia devolvê-la ao proprietário. O argumento, no entanto, foi considerado incompatível com os demais elementos reunidos durante a apuração, principalmente os depoimentos dos policiais e um vídeo feito durante a diligência, que teria registrado a placa no veículo no momento da abordagem.

Para a Justiça, o caso não se limita à suspeita de circulação com uma placa adulterada. O fato de a caminhonete estar apreendida em uma investigação conduzida pelo próprio delegado e, ainda assim, ter sido utilizada em benefício pessoal e familiar foi considerado um elemento de gravidade concreta. A decisão também aponta que a suposta alteração da identificação ocorreu justamente durante uma fiscalização realizada pelo órgão correicional.

O juiz avaliou que a conduta poderia comprometer a própria investigação, já que Odilson, por ser delegado, teria acesso privilegiado a sistemas de informação e procedimentos policiais. A decisão cita como riscos a destruição ou ocultação de provas, a influência sobre subordinados e a possibilidade de alinhamento de versões durante a apuração.

Além da adulteração de sinal identificador de veículo automotor, Odilson é investigado por fraude processual e peculato. Segundo a decisão, há elementos que apontam para a materialidade dos crimes e indícios de autoria, incluindo os depoimentos dos policiais responsáveis pela abordagem, o auto de apreensão, a consulta ao sistema de identificação veicular e a solicitação de perícia na caminhonete.

O Ministério Público havia defendido a conversão do flagrante em prisão preventiva, enquanto a defesa pediu liberdade provisória mediante fiança. O juiz rejeitou o pedido e determinou a manutenção da custódia, considerando que medidas alternativas à prisão seriam insuficientes diante do risco de interferência na instrução criminal.

Na decisão, a prisão preventiva foi decretada para garantir a ordem pública e preservar o andamento das investigações. O caso deverá seguir para o juízo competente, que poderá reavaliar a necessidade da manutenção da custódia ao longo do processo. 

Correio