‘Zói de Gato’, 'Falcão' e ‘Chokito’: quem sustenta o domínio do CV no Nordeste

O traficante José Carlos Ferreira dos Santos, de 44 anos, conhecido como 'Zói de Gato' ou 'Olho de Gato', era o principal alvo da 'Operação Ágio', realizada pela Polícia Civil nesta quarta-feira (5), mas o mandado de prisão expedido contra ele não foi cumprido. O criminoso está escondido em uma comunidade do Rio de Janeiro e a captura dependeria de um efetivo maior e do apoio das forças de segurança fluminenses.

"Como ele está numa favela carioca, é preciso um efetivo ainda maior, com apoio da polícia local. Vamos tentar cumprir (o mandado), colocá-lo na rota", afirmou o diretor do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), delegado Ernandes Júnior.

Apontado como líder do Comando Vermelho (CV) em Cosme de Farias, um dos principais redutos da facção em Salvador, Zói de Gato buscou refúgio no Rio de Janeiro, estratégia adotada por outras lideranças baianas da organização criminosa. Segundo investigações das forças de segurança, integrantes do grupo costumam se esconder em comunidades dominadas pelo CV, principalmente nos complexos da Penha e do Alemão, de onde mantêm influência sobre o tráfico de drogas na Bahia.

A dificuldade para prendê-lo não é novidade. Zói de Gato é alvo antigo das forças de segurança e possui mandados de prisão por crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa. Seu nome está no 'Baralho do Crime' da Secretaria da Segurança Pública (SSP), ocupando a carta 'Nove de Copas', destinada aos criminosos mais procurados do estado. O criminoso tem também influência no Complexo do Nordeste de Amaralina. 

Um dos episódios de maior repercussão envolvendo o traficante ocorreu em agosto de 2014, quando foi apontado como mandante da chacina que deixou seis mortos durante uma festa em Periperi, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Na ocasião, foram assassinados Amanda Reis dos Anjos, Alessandro Reis dos Anjos, Marcos Antônio Silva Santos, Ricardo de Carvalho Silva, Edmilson Santos dos Anjos e Adoniran Reis. Pelo crime, ele foi condenado a 164 anos de prisão.

O histórico criminal de 'Zoi de Gato' também inclui passagens pelo Presídio de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, por crimes como roubo, homicídio e tráfico de drogas. Depois de fugir duas vezes do sistema prisional, voltou a ser apontado pelas investigações como uma das principais lideranças do crime organizado no estado.

Cosme de Farias

De acordo com a Polícia Civil, Zói de Gato exerce papel estratégico dentro da estrutura do Comando Vermelho, sendo responsável pelo comando da facção em Cosme de Farias. Para os investigadores, sua eventual prisão representaria um duro golpe na organização criminosa, que disputa territórios com grupos rivais em Salvador e na Região Metropolitana.

A trajetória dele no crime começou antes da chegada do Comando Vermelho à Bahia. Segundo as investigações, o traficante foi um dos fundadores do extinto Comando da Paz (CP), facção surgida dentro do sistema prisional baiano que, após perder espaço para o Bonde do Maluco (BDM), passou a atuar em aliança com o grupo criminoso de origem carioca. Com essa aproximação, ele se consolidou como uma das principais lideranças do CV no estado.

Em 2024, o traficante também foi alvo da Operação Duplo X, coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO). Na ocasião, conseguiu escapar antes do cumprimento do mandado de prisão e permaneceu foragido.

A operação

A Operação Ágio foi realizada contra traficantes do Comando Vermelho com atuação na Bahia e ramificações em Pernambuco e no Rio de Janeiro. Ao todo, 14 suspeitos foram presos durante a ofensiva, que também cumpriu mandados de busca e apreensão.

Segundo as investigações, o grupo é responsável por crimes como tráfico de drogas, homicídios, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. A ofensiva teve como objetivo enfraquecer a estrutura financeira da facção e interromper a cadeia de comando responsável por ordenar crimes e movimentar recursos obtidos com atividades ilícitas. 

Correio