Há dez dias, Carina Leite de Almeida, de 32 anos, espera em um leito da UPA 24 Horas Josefa Maia da Silva, em Jacobina, por uma transferência hospitalar. Diagnosticada com condrossarcoma, um tipo de câncer ósseo, ela já teve a perna esquerda amputada e, segundo a família, exames recentes apontaram metástase em outras partes do corpo. Sem o atendimento oncológico especializado de que necessita, Carina enfrenta dores intensas enquanto aguarda uma vaga em Salvador. O pedido está registrado na Central Estadual de Regulação sob o número 5009766, com solicitação de encaminhamento para o Hospital Aristides Maltez ou Hospital Santo Antônio.

Ao lado dela está o marido, Ailton Santos, que interrompeu o trabalho como cabeleireiro para acompanhar a esposa. É dele o relato de uma frase que Carina repete no leito em meio à dor e ao medo: “Por favor, não me deixe morrer, eu preciso viver.” Ailton faz um apelo para que as autoridades olhem com urgência para a situação da mulher. “Não estou conseguindo mais ver a minha esposa deitada aqui na UPA de Jacobina. Ela está morrendo e ninguém faz nada. Pelo amor de Deus, não deixem minha esposa morrer aqui”, suplica.

A espera também é sentida pelos dois filhos de Carina, de 5 e 10 anos, sendo o mais novo autista. Segundo Ailton, as crianças choram e perguntam pela mãe. “O sofrimento é grande em ver meus filhos chorando, perguntando pela mãe”, contou. A irmã da paciente, Camila, também pede ajuda. “Minha irmã só tem 32 anos, ela tem um filho de cinco e outro de dez anos. A gente não sabe mais a quem recorrer. […] Por favor, salvem a vida da minha irmã”, apelou.

A pedido da própria família, o blog Jacobina 24 Horas decidiu publicar a fotografia de Carina no leito da UPA. Os familiares autorizaram a exposição da imagem como parte do apelo público, na esperança de sensibilizar as autoridades responsáveis e chamar atenção para a urgência da transferência. A decisão de divulgar a foto, portanto, foi tomada com a autorização e a solicitação da família diante da gravidade da situação enfrentada pela paciente.

Enquanto a vaga não é disponibilizada, a família segue aguardando uma resposta para a regulação nº 5009766. Por trás desse número está uma mulher de 32 anos que pede para viver, um marido que deixou o trabalho para permanecer ao lado dela e duas crianças que esperam a mãe voltar para casa. Até a publicação, a transferência ainda não havia ocorrido. A Sesab não teve posicionamento incluído nas informações encaminhadas à reportagem, e o espaço permanece aberto para manifestação sobre o caso e o andamento da regulação.

Abaixo, espelho da regulação da paciente:

 
Blog Jacobina 24 horas