Matheus Lima de Jesus, jovem de 18 anos morto dentro de um residência no bairro Campo Limpo, em Feira de Santana

A Polícia Civil em Feira de Santana avançou nas investigações sobre o assassinato de Matheus Lima de Jesus após realizar a prisão de uma dupla de suspeitos no bairro Campo Limpo, na terça-feira (15).

Matheus, que tinha 18 anos, foi morto dentro de uma residência no último feriado da Independência do Brasil. Os suspeitos foram localizados nesta semana, momentos depois de deceparem, com o facão, seis dedos de um adolescente.

Segundo Gustavo Coutinho, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Feira de Santana, um dos suspeitos foi identificado como participante do homicídio de Matheus.

Os dois foram encontrados por policiais que estavam no bairro para entregar intimações e teriam demonstrado nervosismo ao perceber a aproximação da viatura

 Delegado Gustavo Coutinho

Delegado Gustavo Coutinho | Foto: Ed Santos / Acorda Cidade

“Um dos suspeitos estava portando uma pistola .40 niquelada e o outro estava de posse de um revólver calibre 38. Então imediatamente eles foram trazidos para delegacia. Eu estava aqui no momento e autuei os dois em flagrante por porte ilegal de arma”, disse o delegado Coutinho.

Tortura e crueldade

Ainda conforme o delegado, após a prisão, a polícia recebeu uma informação de que os dois homens haviam sequestrado e torturado, momentos antes, um adolescente de 17 anos.

A dupla teria abordado o jovem na porta de uma escola, levado a vítima para um local isolado e obrigado o jovem a desbloquear o próprio celular.

“Eles viram que tinham fotografia do adolescente fazendo alusão à facção contrária à que atua naquela área. Então eles fizeram uma chamada de vídeo com o chefe da facção e ele ordenou que três dedos da mão direita e três dedos da mão esquerda do adolescente fossem arrancados com golpes de facão”, disse o delegado.

Gustavo Coutinho continuou detalhando como o crime aconteceu. Segundo o delegado, o adolescente foi forçado a colocar as próprias mãos sobre uma tábua e, com o auxílio de um facão enferrujado, a dupla acabou executando a ordem que foi dada pelo chefe da facção.

“Foi um ato muito cruel, de fato uma tortura contra o adolescente, que causou uma lesão gravíssima. Então, esses dois suspeitos, além do porte de arma, vão responder também por esse crime cruel que acabara de cometer”, disse o titular da DHPP.Polícia prende advogada suspeita de mandar matar ex-companheiro e ex-cunhado em Salvador

Foto: Ascom/PCBA

Para o Acorda Cidade, o delegado explicou que, após a tortura, os suspeitos teriam fotografado o adolescente e enviado as imagens aos familiares, informando onde ele estava. Os próprios pais localizaram o jovem e o levaram para o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA). Posteriormente, ele foi encaminhado para Salvador.

Segundo Gustavo Coutinho, um dos suspeitos possui histórico de violência, inclusive contra familiares. O delegado citou um episódio em que o homem teria agredido a própria irmã como forma de punição determinada por um integrante do tráfico, após ela ter agredido a filha de um ano.

Após a prisão, a Polícia Civil também iniciou uma investigação sobre as armas apreendidas. Para o Acorda Cidade, o delegado explicou que uma microcomparação balística, um tipo de exame pericial, confirmou que a pistola calibre .40 encontrada com um dos suspeitos foi utilizada no assassinato de Matheus Lima de Jesus, no dia 7 de setembro deste ano.

Relembre o caso

Conforme o portal Acorda Cidade já divulgou, o crime ocorreu por volta das 06h30, no feriado do dia da Independência, no Campo Limpo, mesmo bairro onde a dupla foi presa nesta semana. Matheus estava em uma residência acompanhado da namorada e de outro casal.

Segundo informações repassadas à polícia, familiares haviam viajado para a cidade-praia de Cabuçu, enquanto os jovens permaneceram no imóvel. Os criminosos teriam arrombado o cadeado e invadido a casa antes de efetuarem os disparos contra Matheus.Carro do DPT no Campo Limpo após morte de jovem

Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Segundo o delegado, o suspeito confessou a participação no homicídio e afirmou que teria agido sob ordem de um suposto chefe do tráfico da região. A Polícia Civil ainda trabalha para identificar o outro homem que teria participado da ação.

“Eles sempre dizem que foi por ordem do chefe do tráfico, mas estamos com os celulares dos dois. Nós vamos pedir, inclusive, para analisar esses dois aparelhos e acreditamos que vamos encontrar muita, muita coisa ainda em relação a homicídios praticados aqui na cidade”, finalizou o delegado.

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.