Isabelle Caracristi e João Munhoz Neto

Preso por suspeita de envolvimento na morte da estudante Isabelle Caracristi, o namorado da jovem, João Munhoz Neto, é casado, segundo informações confirmadas pelo portal g1 nesta terça-feira (22). Ele foi preso preventivamente.

De acordo com a advogada de defesa de João Munhoz Neto, a informação era de conhecimento da mãe da vítima. A união ocorreu em janeiro de 2025, mas os dois já estavam separados, em processo formal de divórcio.

“[Ele] é casado. Ele, em nenhum momento, negou para ela. Talvez por isso, a mãe [da Isabelle] não goste dele”, afirmou a advogada ao g1.

Durante depoimento à polícia nesta segunda-feira (21), João declarou que é “formalmente casado, mas estava separado de fato e em processo de divórcio”. Ele também afirmou que Isabelle foi para o apartamento dele no dia 13 de setembro, data da morte da estudante, mas que a teria deixado sozinha no imóvel para participar de uma missa.

Segundo o relato, enquanto estava na igreja, João recebeu uma mensagem de Isabelle informando que sentia dores no pescoço. De acordo com ele, prometeu levá-la ao hospital quando retornasse. Em uma segunda mensagem, enviada entre 19h14 e 19h16, a jovem teria escrito: “Realmente eu não estou aguentando. Estou sentindo uma sensação estranha”.

Relembre o caso

Isabelle foi encontrada sem vida no dia 13 de setembro, no pátio do condomínio La Piazza, em Fortaleza. Na véspera, ela havia passado parte do dia com a mãe, a professora universitária Isorlanda Caracristi. Segundo o relato da professora, a filha havia reclamado de dores no pescoço e demonstrado vontade de ficar com ela durante o fim de semana.

No sábado (12), mãe e filha estiveram juntas no aniversário de um familiar. No dia seguinte, Isabelle contou que iria a uma missa e a uma procissão na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, acompanhada do namorado e da mãe dele. Durante o período em que estiveram juntas, Isorlanda disse ter percebido que a filha recebia diversas mensagens do companheiro, comportamento que classificou como controlador.

O último contato entre mãe e filha teria ocorrido na noite de domingo. Conforme o relato de Isorlanda, Isabelle enviou uma mensagem pedindo que ela verificasse uma comida que havia deixado na airfryer. Pouco depois, mandou outra: “Mãe, eu te amo”. Depois disso, a jovem deixou de responder.

A princípio, Isorlanda imaginou que Isabelle tivesse adormecido após tomar um relaxante muscular que havia sido indicado a ela. Na manhã seguinte, sem conseguir contato com a filha, a professora tentou falar com o namorado da estudante por telefone e pelas redes sociais. Foi então, segundo ela, que percebeu que havia sido bloqueada nos perfis dele.

“Para a minha surpresa, eu estava bloqueada. Fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Totalmente bloqueada, bloqueada... Certo, aí eu me desesperei”, relatou Isorlanda.

A professora foi até o condomínio acompanhada do irmão. Segundo ela, os funcionários do prédio demonstraram hesitação ao explicar o que havia ocorrido. Posteriormente, a família foi informada pela síndica de que Isabelle havia morrido na noite anterior e que o corpo já havia sido encaminhado para a sede da Perícia Forense.

Desde então, Isorlanda afirma não ter conseguido contato com o namorado da filha nem com a mãe dele, identificada como Sara Regina Alexandre Munhoz. Um celular e um tablet pertencentes à mãe dele foram apreendidos e serão submetidos à perícia. O celular de Isabelle também foi recuperado e deverá passar por análise.

A perícia já identificou no corpo de Isabelle lesões “compatíveis com o impacto contra o solo”. Exames laboratoriais não encontraram substâncias de interesse toxicológico. 

Correio