
Um paciente de 69 anos internado
involuntariamente em uma clínica psiquiátrica, chamada Holiste
localizada no bairro de Pituaçu em Salvador, recebeu alta na última
sexta-feira (11), após a chegada de autoridades policiais à unidade para
o cumprimento de um mandado de prisão preventiva.
O
idoso identificado como Olavo José Gouveia Oliva estava internado desde
20 de julho para tratamento. Segundo o relatório médico, o quadro do
paciente era grave. Olavo sobre de um “episódio depressivo grave sem
sintomas psicóticos” e “transtorno de ansiedade generalizada”, além de
outras comorbidades, como diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia,
hipertrigliceridemia, cirrose secundária à esteato-hepatite não
alcoólica, hiperplasia prostática benigna e insônia.
Relatório apontava necessidade de continuidade
Segundo
a família, Olavo era acompanhado pelo médico assistente André Barbosa
Oliveira, que havia registrado, em 31 de agosto, que não existia
perspectiva de alta hospitalar naquele momento.
No
documento, o profissional afirmou: “Atesto, para os devidos fins, que o
Sr. Olavo José Gouveia Oliva encontra-se internado em regime integral
nesta instituição hospitalar, sob meus cuidados, em decorrência de
quadro psiquiátrico grave, compatível com os diagnósticos de Episódio
Depressivo Grave sem Sintomas Psicóticos e Transtorno de Ansiedade
Generalizada”.
A
família afirma que a alta ocorreu cerca de 11 dias depois do relatório
que indicava a continuidade da internação. Rafael Rodrigues Oliva, filho
do paciente, também declarou que “no mesmo relatório, o Dr. André
Barbosa Oliveira registrou que meu pai não apresentava condições
clínicas ou psíquicas”, para prestar esclarecimentos ou elaborar defesa.
Ainda
de acordo com Rafael, o documento apontava que uma situação desse tipo
poderia agravar o quadro de saúde mental do paciente. Devido a essa
repentina mudança, a família questiona a alta do paciente e afirma que
não foi devido a melhora do quadro de Olavo, mas sim por questões
externas.
Mandado coloca clínica diante de impasse
Na
sexta-feira (11), policiais civis compareceram à clínica para cumprir o
mandado de prisão ou deixar Olavo sob custódia das autoridades dentro
da própria instituição. A família afirma que a unidade não quis manter o
paciente sob custódia em razão da ordem judicial e que, diante do
impasse, houve a decisão pela alta. Após a alta, Olavo foi levado sob
custódia das autoridades policiais e segue preso.
Diretor clínico autoriza saída da unidade
A
alta foi determinada pelo diretor clínico da Clínica Holiste, Luiz
Fernando Silva Pedroso. No documento de alta, o diretor declarou que o
paciente se encontrava “vivo” e em “bom estado”.
“Atesto
que ele está vivo, em bom estado clínico geral e em condições de ficar
sob a tutela das autoridades policiais”. O filho do paciente registrou
em áudio falas do diretor clínico da Clínica Holiste, Luiz Fernando
Silva Pedroso, que afirma várias vezes não ser obrigado a manter um
paciente no qual não é bem vindo na clínica.
Em
uma das gravações, ele afirma: “Mas eu não quero mais. Eu não sou
obrigado. Eu não sou obrigado a ficar com o paciente aqui, que eu não
quero […] Eu não trabalho para o governo”. Em outro trecho, o diretor
menciona a possibilidade de retirada do paciente da clínica.
Diretor diz não querer assumir o caso
Em
outro áudio apresentado pela família, o diretor clínico afirma: “Ele
vai ser despejado […] Do jeito que ficou esse impasse, eu não tenho
condição de ajudar. Eu não quero fazer parte do problema […] Eu não
quero policial aqui dentro”.
Cremeb recebe denúncia e inicia apuração
Procurado
pelo bahia.ba para falar sobre o caso, o Conselho Regional de Medicina
do Estado da Bahia (Cremeb) informou que “recebeu uma denúncia”
relacionada à situação e que “irá dar prosseguimento aos ritos da
apuração de acordo com o previsto no Código de Processo
Ético-Profissional (CPEP)”.
Segundo
a instituição, a sindicância é a etapa inicial para analisar os fatos e
documentos apresentados e verificar a existência de possíveis indícios
de infração ética. Caso sejam identificados elementos para abertura de
processo ético-profissional, a apuração seguirá em procedimento próprio,
com garantia de contraditório e ampla defesa.
O
Cremeb informou ainda que os processos tramitam sob sigilo. A Clínica
Holiste também foi procurada pela reportagem e informou que não se
pronunciaria sobre o caso.
Fonte: Bahia. Ba
0 Comentários