A Polícia Federal (PF) afirmou que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria
acompanhado matérias de interesse do Banco Master no Senado. Os
elementos constam em um relatório feito pela corporação tornado público
após a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal
(STF), de levantar o sigilo da investigação sobre o petista, na noite de
sexta-feira, 11.
No documento, a PF apresenta conversas entre
Wagner, à época líder do Governo no Senado, e o empresário Augusto Lima,
sócio de Daniel Vorcaro, e sustenta que os diálogos indicam que o
senador teve atuação na chamada "emenda Master", apresentada pelo
senador Ciro Nogueira (PP-PI) à PEC sobre autonomia financeira do Banco
Central e que elevaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por pessoa física.
Seis dias
antes da inclusão da emenda, o publicitário Guilherme Sodré, amigo e pai
do enteado de Wagner, procurou Vorcaro para tratar de um "tema
importante", com urgência, e pediu que o assunto ficasse "em sigilo".
Após uma ligação, Sodré informou que o chefe de gabinete do petista
entraria em contato para acertar os detalhes de um encontro em Brasília.
Na véspera da apresentação da proposta, o publicitário enviou a Vorcaro
o número pessoal de Wagner acompanhado da mensagem "boa sorte".
No
dia em que a emenda foi apresentada, em 13 de agosto de 2024, Augusto
Lima telefonou para Wagner e os dois conversaram por 9 minutos e 19
segundos. Logo depois da ligação, o empresário encaminhou ao senador o
link da emenda. Duas semanas mais tarde, Lima esteve no gabinete do
petista e voltou a enviar o texto da proposta após o encontro.
Para
a PF, a sequência configura, "em juízo indiciário, padrão de
acompanhamento direto, pelo Senador JAQUES WAGNER, de pauta legislativa
de interesse" do Master. O relatório também menciona que além da emenda,
havia um padrão recorrente de mensagens de Lima ao petista sobre
notícias relacionadas ao banco.
"A culminância dessa cadeia de
comunicações é a mensagem encaminhada em 29/03/2025, na qual AUGUSTO
LIMA, ao explicar ao Senador os termos da operação de venda do Banco
Master ao BRB e afirmar que o grupo permaneceria no controle,
acrescentou: Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte
disso!!', afirmação que revela, nas próprias palavras do investigado,
que JAQUES WAGNER não era mero destinatário passivo de informações, mas
parceiro consciente da trajetória do banco e das operações a ele
associadas", diz a corporação.
Ainda de acordo com os
investigadores, o petista teria recebido vantagens econômicas indevidas
de integrantes da cúpula do Master e de pessoas ligadas ao grupo. Entre
os benefícios citados estão o uso gratuito de aeronaves vinculadas a
Augusto Lima e ao banco, ingressos para shows destinados ao senador e a
familiares, a articulação para a aquisição de um apartamento de R$ 2,45
milhões em Salvador e repasses de ao menos R$ 3,5 milhões à BN
Financeira, empresa ligada à família do parlamentar.
Por Gabriel Máximo / Estadão Conteúdo
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