
O governo Trump avalia impor novas sanções a autoridades brasileiras em meio à crise no STF (Supremo Tribunal Federal) e já tem medidas preparadas para eventual adoção, segundo uma alta autoridade do Departamento de Estado.
A
autoridade disse à reportagem que as medidas, mais do que apenas
consideradas, já foram elaboradas e que a gestão Trump está pronta para
avançar na aplicação das sanções. O ministro Alexandre de Moraes está
entre os nomes acompanhados pelo governo americano, mas Washington
também analisa a atuação de outros integrantes do Supremo.
A sessão extraordinária marcada para o dia 15 é vista pelo governo americano como um momento importante para essa avaliação. É nesta data que o presidente do STF, Edson Fachin, convocou o plenário para decidir sobre o relatório da Polícia Federal que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
O julgamento pode resultar na abertura de uma investigação contra
Moraes ou na anulação do relatório, que reúne diálogos atribuídos ao
ministro e a Vorcaro.
Integrantes do governo americano acompanham os desdobramentos da crise que atingiu o STF nas últimas semanas. Segundo a autoridade, Washington observará as manifestações e os votos dos ministros na sessão do dia 15, considerada um ponto importante para avaliar os próximos passos.
O Departamento de Estado avalia uma série de instrumentos para
impor consequências e pode recorrer ao Tesouro para estas sanções,
afirmou o alto funcionário da pasta. É nesse contexto que aparece a
possibilidade de uma nova aplicação da Lei Magnitsky, instrumento de
sanções financeiras administrado pelo Departamento do Tesouro.
Em meados de agosto, antes da atual crise relacionada ao Banco
Master eclodir, uma reportagem do jornal Financial Times já indicava que
medidas contra Moraes voltaram a ganhar força após o ministro autorizar
ações de busca e apreensão contra informantes do jornalista Luís Pablo,
do Maranhão, que publicou textos sobre o ministro Flávio Dino e também
foi alvo de buscas determinadas pelo magistrado.
Moraes já foi alvo da Magnitsky em julho de 2025, quando o
Departamento do Tesouro determinou o bloqueio de eventuais bens sob
jurisdição dos Estados Unidos e proibiu, em regra, transações envolvendo
o ministro. A sanção foi retirada no fim do ano após uma aproximação
entre Lula e Trump.
Como a Folha de S. Paulo mostrou, aliados bolsonaristas já vinham
pedindo a integrantes do governo americano a retomada das sanções
contra Moraes nos últimos meses.
Entre os defensores da medida estão o empresário Paulo Figueiredo
e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que mantêm interlocução com
integrantes da administração Trump. Ambos seguem trabalhando para isso.
Paulo e Eduardo foram convidados para participar na semana que vem de
uma reunião no Departamento de Estado para tratar sobre as possíveis
sanções.
A alta autoridade do Departamento de Estado ressaltou, porém, que
não há um cronograma definido para a eventual adoção das medidas. A
decisão final cabe a Trump.
O governo americano também avalia o possível impacto político de
novas medidas em meio à campanha eleitoral brasileira. A reportagem
apurou que uma ala do Departamento de Estado considerava que novas
sanções contra autoridades brasileiras pudessem favorecer eleitoralmente
o governo Lula. Nesse contexto, uma pesquisa foi encomendada por
aliados de Trump.
Elaborada em agosto pela McLaughlin & Associates, instituto
ligado ao republicano, a pesquisa ouviu 1.991 eleitores em todo o
Brasil. Os resultados foram publicados pelo portal Metrópoles e
confirmados pela reportagem.
A pesquisa perguntou aos eleitores se uma eventual retomada das
sanções financeiras contra Moraes mudaria seu voto. Para a maioria
(53,3%), a medida não teria efeito sobre a escolha eleitoral. Já 24,7%
disseram que ficariam mais propensos a votar no senador Flávio Bolsonaro
(PL), ante 18,2% que afirmaram que a medida aumentaria a chance de voto
em Lula.
Na avaliação relatada pela autoridade à reportagem, os resultados
reduziram dentro do governo americano o receio de que novas medidas
possam beneficiar Lula eleitoralmente e ampliaram a margem para a adoção
de novas ações contra autoridades brasileiras.
A pesquisa também perguntou quem os entrevistados consideravam o
principal responsável pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre
produtos brasileiros. Lula foi citado por 32% dos entrevistados, e a
família Bolsonaro, por 25%.
Em outra pergunta, Flávio Bolsonaro e Lula aparecem tecnicamente
empatados na avaliação sobre quem estaria mais preparado para defender
os interesses do Brasil na relação com os Estados Unidos. O senador tem
44%, ante 41% do presidente. A margem de erro da pesquisa é de dois
pontos percentuais para mais ou para menos.
Fonte:Folha de São Paulo
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