
A comerciante Tânia Nogueira passou o domingo (27) no Instituto Médico Legal (IML) para liberar os corpos dos dois filhos, mortos a tiros na tarde de sexta-feira (25), em Curicica, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Douglas Nogueira, de 26 anos, e Caio Nogueira, de 17, serão enterrados juntos nesta segunda-feira (28). As informações são do g1 Rio de Janeiro.
Tânia estava na lanchonete da família quando ouviu os disparos e presenciou o ataque. Os filhos conversavam nas proximidades do estabelecimento quando foram atingidos. “Eu estava no meio da loja. Só sei que, do nada, aquele tiro. Os dois estavam ali, conversando. Eu me escondi mais ainda, para trás. Quando fui ver, olhei por baixo e só vi o bracinho do meu bebê lá, caído”, contou à TV Globo.
Segundo a comerciante, ela ficou sem reação ao perceber que um dos filhos estava caído. “Eu não tive reação. Não quis olhar na hora. Só vi o bracinho do meu filho mais novo caído e fiquei parada. Fiquei paralisada”, relatou.
Ataque aconteceu perto de comunidade
O crime ocorreu por volta das 17h, na Rua André Rocha, nas proximidades da comunidade Dois Irmãos. Segundo testemunhas, os criminosos chegaram em um carro amarelo, semelhante a um táxi, e atiraram contra os irmãos. Tânia também identificou o veículo como um táxi. Após os disparos, os criminosos fugiram. Uma equipe do 18º BPM (Jacarepaguá) foi acionada e preservou o local até a chegada da perícia.
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso. Uma das linhas de investigação é a possibilidade de os irmãos terem sido confundidos com milicianos por criminosos ligados ao Comando Vermelho (CV), que atua na Cidade de Deus. A hipótese ainda não foi confirmada pela polícia.
A mãe afirmou que os filhos não tinham envolvimento com atividades criminosas e espera que a investigação esclareça o motivo do ataque. “Pode ter sido, sim. Pode ter confundido, né? Sei lá. Se não tem coisa errada entre eles, pode ter confundido”, disse.
Irmãos trabalhavam e estudavam
Douglas e Caio ajudavam diariamente no comércio da família. Segundo Tânia, os dois conciliavam o trabalho com os estudos e faziam entregas e divulgação da lanchonete. “Os dois trabalhavam e estudavam, mas sempre me ajudavam ali. Entregavam comida, entregavam lanche, faziam propaganda da loja”, contou.
Além dos irmãos, outras duas pessoas foram atingidas durante o ataque. George de Lima Passos, de 60 anos, levou um tiro no pé e foi encaminhado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Ele permanece internado e apresenta quadro clínico estável, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
Um menino de 12 anos, que voltava da escola, foi atingido por estilhaços. Um dos disparos perfurou a mochila e o caderno que ele carregava. O garoto recebeu atendimento médico e já teve alta.
‘Uma coisa que eu não vou ter mais na minha vida’
Douglas e Caio serão enterrados juntos no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na Zona Portuária do Rio. Enquanto aguarda respostas sobre o crime, Tânia tenta lidar com a perda dos dois filhos. “Levaram eles. Uma coisa que eu não vou ter mais na minha vida. E agora? Acabou comigo. Acabou comigo!”, lamentou. A comerciante afirmou que espera descobrir o que motivou o ataque e que a investigação esclareça a morte dos filhos. “Eu espero que descubram alguma coisa. O que levou a isso? Por que aconteceu isso? É isso que eu espero”.
Correio
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