Tenente-coronel preso por suspeita de encobrir milícia na Bahia foi exonerado de direção de colégio militar — Foto: Reprodução/Redes Sociais

O tenente-coronel da Polícia Militar da Bahia Luiz Augusto Normanha de Carvalho, preso nesta quarta-feira (7) por suspeita de receber dinheiro para não combater a atuação de uma milícia armada no oeste do estado, já havia sido exonerado do cargo de diretor do Colégio da Polícia Militar de Bom Jesus da Lapa. A saída da função ocorreu em setembro de 2025.

Na época em que comandava a unidade de ensino, Luiz Augusto recebia R$ 20.862,18 de salário líquido, conforme dados disponíveis no Portal da Transparência do Governo da Bahia.

O oficial também foi comandante da 30ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) de Santa Maria da Vitória, função que ocupou até 2023. A unidade atende municípios do oeste baiano, região onde, segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), atuava o grupo investigado.

Prisão

Luiz Augusto foi preso durante a terceira fase da Operação Terra Justa, realizada pelo MP-BA, pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e pela Corregedoria da Polícia Militar.

Segundo a denúncia do MP-BA, o tenente-coronel teria recebido R$ 286 mil de um sargento da reserva apontado como chefe de uma milícia armada que atuava na região de Correntina.Casa onde o tenente-coronel foi preso — Foto: SSP-BA

Casa onde o tenente-coronel foi preso — Foto: SSP-BA

Ainda conforme a acusação, os pagamentos eram feitos com frequência e geralmente chegavam a R$ 15 mil por mês. O oficial também teria recebido ajuda para o pagamento de despesas pessoais, incluindo boletos de faculdade da filha.

O MP-BA afirma que o dinheiro era pago para que o policial deixasse de combater a atuação do grupo, que, segundo a investigação, prestava serviços de segurança para fazendeiros envolvidos em conflitos por terras.

Milícia é investigada por ameaças e expulsões

De acordo com a denúncia, o grupo comandado pelo sargento da reserva atuou durante mais de dez anos na região de Correntina e era usado para ameaçar e expulsar comunidades tradicionais de suas terras.

A acusação aponta que Luiz Augusto teria ido além de receber os pagamentos e ajudado no funcionamento da estrutura. Entre as suspeitas está a participação na definição de escalas de vigilantes armados.

O MP-BA também afirma que o tenente-coronel teria usado a influência do cargo para favorecer a contratação de serviços irregulares de segurança armada para um fazendeiro da região.

A Justiça recebeu a denúncia contra o oficial e determinou a prisão preventiva dele. Luiz Augusto já havia sido preso em setembro de 2025 por posse ilegal de arma, mas foi liberado no dia seguinte.

A terceira fase da Operação Terra Justa investiga a atuação de uma organização envolvida em conflitos fundiários e a possível participação de agentes públicos no esquema. As investigações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela 3ª Promotoria de Justiça Militar de Salvador, em conjunto com órgãos da Segurança Pública da Bahia.

Veja mais notícias do estado no g1 Bahia.