Advogado denuncia pré-blitz em Salvador; 'atravessadores' cobram para fugir de fiscalização

O advogado Bruno Sobral usou suas redes sociais para fazer um alerta grave sobre uma prática que preocupa muitos condutores em Salvador, na Bahia: a "pré-blitz". Esse esquema antigo envolve pessoas que se apresentam a motoristas a poucos metros de uma fiscalização de trânsito e cobram um valor para que o veículo consiga escapar das punições, como multas e apreensões.

O que são os "coiotes de blitz"?

Conhecidos também como "atravessadores de blitz" ou "coiotes", esses indivíduos abordam os motoristas antes das barreiras policiais. A ideia é simples: se o condutor, por exemplo, ingeriu bebida alcoólica e não quer ser parado, ele paga para que o "atravessador" conduza o carro pela blitz. Assim, o motorista não é notificado na ação, mesmo estando irregular para dirigir.

A prática não é nova, e já foi tema de reportagem, como detalhou o Bahia Notícias ao explicar o modo de operação desses "coiotes". Entre os locais onde a ação é mais frequente, a Avenida Mário Leal Ferreira (Bonocô), no sentido Iguatemi, é um dos pontos mais citados.

Quanto custa escapar da fiscalização?

Para conseguir essa "ajuda" e passar ileso por uma blitz, o motorista pode desembolsar até R$ 300. Com esse valor, o "atravessador" garante que o veículo passe pela fiscalização sem o risco de o motorista ser multado ou ter o carro apreendido, mesmo que ele esteja em condições irregulares para a condução.

A indignação do advogado

Em sua denúncia, Bruno Sobral não poupou críticas à situação, que, segundo ele, ocorre de forma constante e visível. O especialista em Direito de Trânsito questionou a falta de ação ou conhecimento das autoridades sobre o que acontece na frente de suas próprias operações.

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"Se a polícia alegar que não sabe e que não está vendo isto que ocorre em TODOS os finais de semana em suas operações 'na cara dela' seria muita desfaçatez, para não usar termo ainda pior", desabafou Sobral.

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O que diz o Detran-BA?

Apesar da prática ser amplamente conhecida, o Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA) informou, em ocasiões anteriores, que a legislação não proíbe especificamente o ato. No entanto, o órgão faz um alerta claro: essa prática não deve ser incentivada ou aceita, devido aos grandes perigos que pode gerar. Colocar um "atravessador" para dirigir um veículo pode abrir margem para diversos outros riscos e crimes, além de perpetuar a impunidade de infrações graves de trânsito.

É fundamental que os motoristas evitem recorrer a esses esquemas, priorizando sempre a segurança no trânsito e o cumprimento das leis para evitar acidentes e garantir a ordem nas ruas.

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