Imagem de Falta apenas um detalhe para Angelo Coronel migrar para o União Brasil; saiba qual

O senador Angelo Coronel avançou nesta sexta-feira (31) nas negociações para deixar o PSD e se filiar ao União Brasil, movimento antecipado pela coluna Radar do Poder desta semana (clique aqui para ler). Segundo apuração do Política Livre, resta apenas um “detalhe” para a mudança ser oficializada: o aval do deputado federal Diego Coronel, filho do senador.

Coronel teve, nesta sexta, uma conversa considerada produtiva por telefone com o ex-prefeito ACM Neto (União), que cumpria agenda em Juazeiro. “Ficou 90% alinhada a entrada do senador no União Brasil. Falta agora convencer Diego, que ainda avalia permanecer na base do governo por razões pragmáticas e eleitorais, mas o processo está avançado. Até a próxima semana isso deve estar resolvido”, afirmou ao site um aliado próximo do líder oposicionista.

O senador delegou ao filho caçula a condução das tratativas sobre o futuro político da família. Há cerca de duas semanas, Diego chegou a se reunir com o governador Jerônimo Rodrigues (PT), mas não houve qualquer proposta concreta do governo capaz de resolver o impasse criado pela decisão irredutível de Coronel de disputar a reeleição ao Senado.

Uma das alternativas ventiladas nos bastidores seria a indicação de Diego para a vice-governadoria na chapa de Jerônimo. A hipótese, porém, foi rechaçada publicamente pelo senador. Em entrevista à Rádio Antena 1, Coronel criticou o que chamou de “leilão” do espaço. “Estão leiloando a vice do MDB. Isso muitas vezes soa até como falta de respeito”, disparou. 

Choque de compadres

As negociações com ACM Neto avançaram justamente no dia em que Angelo Coronel se chocou publicamente com o senador Otto Alencar, presidente do PSD baiano e seu amigo pessoal há mais de quatro décadas. Otto, inclusive, é padrinho de Diego Coronel.

Enquanto Otto afirmava, em entrevista exclusiva ao Política Livre (clique aqui para ler), que o compadre esteve em São Paulo tentando levar o PSD baiano para o campo oposicionista, Coronel concedia entrevistas a rádios negando que isso tivesse ocorrido. Segundo ele, a reunião com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, da qual Diego participou, tratou exclusivamente da filiação do governador Ronaldo Caiado ao partido e da estratégia presidencial da legenda na Bahia.

Otto, porém, foi além. Em entrevista ao site Metrópoles, afirmou que a permanência de Coronel no PSD havia se tornado insustentável  por conta de uma “quebra de confiança” na relação entre ambos, se referindo à reunião em São Paulo. A declaração teve forte impacto político e ajudou a empurrar ainda mais a família Coronel para a oposição, o que, talvez, tenha sido o efeito desejado por Otto. 

A decisão de Angelo Coronel é levar consigo os dois filhos: além de Diego, também o deputado estadual Angelo Coronel Filho, hoje filiado ao PSD. A aposta é que a mudança de campo não reduzirá a competitividade eleitoral dos herdeiros no pleito de outubro.

O desgaste entre Otto e Coronel começou no início do mês, quando o presidente do PSD baiano declarou que ele próprio e o partido apoiariam a reeleição de Jerônimo Rodrigues mesmo sem a presença do compadre na chapa. A fala representou uma guinada, já que Otto vinha defendendo publicamente a presença de Coronel na majoritária. 

A repercussão negativa — inclusive junto a Kassab — levou Otto a recalibrar o discurso e a defender, posteriormente, que Coronel disputasse a reeleição de forma avulsa, permanecendo no PSD, mas fora da chapa governista.

Proposta sobre candidatura avulsa

Nos bastidores, Coronel chegou a apresentar uma proposta que foi recusada de imediato por Otto: lançar candidatura avulsa ao Senado pelo PSD sem coligação com o PT, enfrentando diretamente a chapa “puro-sangue” formada pelo senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil Rui Costa, como postulantes ao Senado.

Se aceita, a estratégia permitiria que Coronel apoiasse ACM Neto de maneira informal, algo que se tornaria eleitoralmente confuso, inclusive para o eleitor, com o PSD integrado à base de Jerônimo. O senador disse ontem ao jornal Correio que levou essa proposta a Kassab, que, mais uma vez, reafirmou a liderança de Otto Alencar na definição dos rumos do partido na Bahia.

Fonte:Politica Livre