A decisão do governo brasileiro de revogar o visto de Darren Beattie, conselheiro de Donald Trump, não deve provocar um desgaste maior com o governo norte-americano. É o que avaliam diplomatas e funcionários do primeiro escalão da gestão Lula.
Apesar de a decisão ter sido tomada em meio à definição da data para o encontro entre Lula e Trump, integrantes do governo não acreditam em um "tensionamento" nas relações.
Mesmo assim, algumas fontes admitem, nos bastidores, que a conversa entre os dois pode acabar nem acontecendo. Um interlocutor de Lula disse esperar que o governo norte-americano tenha maturidade.
A avaliação do governo é que a revogação foi uma "ação proporcional", que respondeu na mesma moeda à atitude dos EUA.
No governo Trump, a seção 212 da Lei de Imigração e Nacionalidade estabelece que uma pessoa que "apresentar informações falsas ao tentar obter um visto para entrar nos Estados Unidos" terá o pedido negado.
Eles ainda são mais duros: configuram como inelegibilidade permanente. Isso significa que toda vez que aquela pessoa solicitar um visto será considerado inelegível pelo mesmo motivo.
Portanto, na avaliação de um alto funcionário do governo, a reação brasileira é o mínimo que se poderia esperar.
Fontes do Itamaraty dizem que a revogação do visto se deu por Darren Beattie ter apresentado informações falsas sobre o motivo da visita.
Ao pedir o visto, o conselheiro de Trump disse que participaria de uma conferência sobre minerais críticos, prevista para a próxima semana, além de reuniões oficiais com o governo brasileiro.
Acontece que ele sequer pediu agenda com o Itamaraty, mas quis se encontrar o ex-presidente Jair Bolsonaro, na Papudinha, onde cumpre pena.
Na decisão que negou a visita, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes disse que a vinda de Darren Beattie não está inserida no contexto diplomático.
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