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Muita gente associa a pressão alta apenas aos riscos de infarto e AVC, mas especialistas alertam que os rins também têm papel central no controle da pressão arterial e podem estar por trás de casos de hipertensão que não melhoram mesmo com uso contínuo de medicamentos. No Dia Mundial da Hipertensão, celebrado em 17 de maio, nefrologistas chamam atenção para uma relação ainda pouco conhecida: a pressão alta pode causar doença renal crônica, mas problemas nos rins também podem provocar ou agravar a hipertensão.

Na Bahia, os números acendem um alerta. Dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia apontam que o estado saiu da 14ª posição em 2012 para o 9º lugar no ranking nacional de mortalidade por Doença Renal Crônica (DRC) em 2023. Atualmente, cerca de 10 mil pessoas realizam hemodiálise regularmente em clínicas e hospitais baianos, distribuídos em uma rede com 42 unidades especializadas.

Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia – Regional Bahia, Dra. Ana Flávia Moura, ainda existe pouco conhecimento sobre a atuação dos rins no organismo quando o assunto é pressão arterial. “O coração bombeia o sangue, mas quem regula a pressão são os rins. Eles controlam a quantidade de sódio e líquidos no organismo. Quando a função renal começa a falhar, esse equilíbrio se perde e a pressão pode subir”, explica.

A especialista destaca que hipertensão e doença renal frequentemente funcionam como um ciclo. “A pressão alta pode lesionar os vasos dos rins ao longo do tempo e causar perda da função renal. Mas a doença renal também piora a hipertensão. Muitas vezes, não conseguimos definir exatamente o que veio primeiro”, afirma.

O problema, segundo os médicos, é que a Doença Renal Crônica costuma avançar de forma silenciosa. Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que nove em cada dez pessoas com doença renal desconhecem o diagnóstico. Em muitos casos, o problema só é descoberto quando o comprometimento dos rins já está em estágio avançado.

“É muito comum atender pacientes que tratam hipertensão há anos, usam vários medicamentos e nunca investigaram a função renal. A hipertensão está entre as duas principais causas de Doença Renal Crônica e, por isso, o rastreio dessa doença precisa fazer parte da avaliação de rotina desses pacientes”, alerta Ana Flávia Moura.

Além da pressão alta, fatores como diabetes, obesidade, histórico familiar e uso frequente de anti-inflamatórios também aumentam o risco de comprometimento renal. Segundo a nefrologista, exames simples podem ajudar no diagnóstico precoce. “Creatinina e exame de urina são acessíveis e conseguem mostrar sinais iniciais de alteração renal. O diagnóstico precoce faz diferença porque permite retardar a progressão da doença”, explica.

No contexto do Dia Mundial da Hipertensão, a SBN-Bahia reforça a importância do acompanhamento  regular da pressão arterial e da avaliação da saúde dos rins, especialmente entre pacientes hipertensos. “Muita gente mede a pressão pensando apenas em infarto ou AVC, mas esquece que os rins também sofrem diretamente com a hipertensão. Cuidar da pressão é também preservar a função renal”, conclui a especialista.

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