Imagem de Trump rejeita proposta do Irã para encerrar guerra, e tensão aumenta no Oriente Médio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou neste domingo (10) a resposta enviada pelo Irã à proposta americana para encerrar a guerra no Oriente Médio, o que aumenta as incertezas sobre as negociações por um acordo de paz.

"Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gostei —TOTALMENTE INACEITÁVEL", escreveu Trump na plataforma Truth Social, com as habituais maiúsculas, sem informar detalhes sobre o conteúdo rejeitado.

Mais cedo, a Irna, agência estatal iraniana, havia informado que Teerã enviou uma resposta aos EUA pelo Paquistão, que atua como mediador nas conversas. Segundo a imprensa local, a proposta previa o estabelecimento de uma "paz regional", com o fim imediato da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano; a suspensão do bloqueio naval imposto pelas forças americanas; garantias de que não haveria mais ataques contra o Irã; e o fim de sanções, incluindo restrições à venda de petróleo do país.

O jornal The Wall Street Journal informou, com base em autoridades não identificadas, que o Irã também teria proposto diluir parte de seu urânio altamente enriquecido e transferir o restante para um terceiro país. A proposta dos EUA, por sua vez, previa uma trégua inicial, seguida pela abertura de negociações sobre temas mais sensíveis, entre eles o fim do programa nuclear iraniano.

As negociações ocorreram num contexto de pressão sobre Donald Trump para conter a crise no Oriente Médio de sua viagem à China, prevista para esta semana. O republicano deve chegar na quinta-feira (14) ao país asiático, onde irá se reuniu com o líder Xi Jinping.

Os EUA enfrentam dificuldades para ampliar apoio externo. Países da Otan, a aliança militar ocidental, rejeitaram pedidos de Washington para enviar navios e ajudar na reabertura do estreito de Hormuz sem que haja antes um acordo de paz abrangente e uma missão internacional formalizada.

O Reino Unido informou no sábado (9) que enviará um navio de guerra ao Oriente Médio como preparação para eventual operação multinacional futura, em coordenação com a França.

Neste domingo, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, advertiu que qualquer presença de navios britânicos, franceses ou de outros países na região sob o pretexto de "proteger a navegação" seria considerada uma escalada e enfrentaria resposta militar iraniana.

O conflito já provocou instabilidade nos mercados de energia e ampliou temores sobre os impactos na economia global, além de causar milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano.

Mesmo com um cessar-fogo em vigor desde abril, a região continua instável. Neste domingo, drones foram detectados sobre diferentes países do Golfo.

Os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado dois drones vindos do Irã. O Catar informou que um cargueiro vindo de Abu Dhabi foi atingido por um drone em suas águas territoriais. Já o Kuwait afirmou ter acionado suas defesas aéreas contra aeronaves não identificadas que entraram em seu espaço aéreo.

O estreito tornou-se um dos principais focos de tensão da guerra. Antes do conflito, iniciado em 28 de fevereiro, a passagem concentrava cerca de 20% do comércio global de petróleo. Desde o início dos confrontos, o Irã restringiu fortemente a circulação de embarcações estrangeiras.

Apesar disso, alguns navios voltaram a cruzar a rota. Segundo dados da consultoria Kpler, o navio Al Kharaitiyat, operado pela QatarEnergy, atravessou o estreito em segurança com destino ao porto de Qasim, no Paquistão. Foi a primeira embarcação catariana transportando gás natural liquefeito a fazer o trajeto desde o início da guerra.

Também neste domingo, a agência semioficial Tasnim informou que um navio graneleiro de bandeira panamenha, com destino ao Brasil, conseguiu passar pela via marítima após utilizar uma rota designada pelas Forças Armadas iranianas.

 Por Folhapress