Líderes do PT ouvidos pela coluna afirmam que não é possível "passar pano" para o senador Jaques Wagner (PT-BA) e defendem que ele seja investigado, doa a quem doer. Pregam ainda que o parlamentar deixe a liderança do governo no Senado.
Wagner é um dos alvos de operação deflagrada nesta quinta (18) pela PF (Polícia Federal) para apurar o suposto envolvimento dele com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Os agentes encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados a ele.
"O escândalo do Banco Master não é do governo Lula, é do governo de Jair Bolsonaro. Agora, se alguém de nós entrou no esquema, teve algum benefício, tem que ser investigado", afirma à coluna o deputado federal Rogério Correia, vice-líder do governo na Câmara dos Deputados.
Em sua página no X, o parlamentar ainda escreveu: "O presidente Lula sempre disse: doa a quem doer, a investigação precisa ser feita até o fim!". Com as revelações sobre Jaques Wagner, segue ele, "não seria diferente".
"A Polícia Federal está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas", segue.
O deputado federal Lindbergh Farias adota a mesma linha. "Se alguém errou, tem que pagar pelos seus erros. Se Jaques Wagner errou, que se defenda. A determinação do presidente Lula é a de que a investigação vá até o fim. Veja a diferença da PF do governo Lula e a do governo do Bolsonaro. No nosso governo, não há seletividade", afirmou em áudio enviado à coluna.
"Eu vi as declarações de Flávio Bolsonaro [sobre Jaques Wagner]. Ele é que tem que se explicar. É candidato à Presidência da República. Onde foram parar os R$ 61 milhões [que o filho de Bolsonaro pediu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para fazer um filme sobre o próprio pai]. Se pensam que vamos para a defensiva política, não, não vamos", seguiu.
Outro deputado federal do partido fez críticas ao presidente do PT, Edinho Silva, que saiu em defesa de Wagner assim que a operação foi deflagrada. "Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência", disse ele.
Para o parlamentar, não é possível "passar pano" para Wagner, ainda mais depois das evidências de que ele recebeu benefícios pessoais de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
A atitude de Edinho Silva, na visão do mesmo deputado, tira do PT as condições de seguir na "ofensiva política" contra o pré-candidato Flávio Bolsonaro, que pediu dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre o próprio pai.
Um terceiro aliado de Lula disse que o governo não pode perder o discurso de que a PF faz o seu trabalho hoje de forma independente, e que todos serão investigados —até mesmo pessoas ligadas ao presidente da República.
Por Mônica Bergamo, Folhapress
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