O presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (10) que o Irã fez os Estados Unidos "de trouxa" nas negociações e que agora "terá de pagar o preço" por ter demorado demais para fechar um acordo. Horas mais tarde, forças americanas atacaram o país persa pela segunda noite consecutiva.
A declaração ocorreu após os países trocarem novos ataques em uma das maiores escaladas desde o frágil cessar-fogo acordado em abril. "Estávamos muito perto de um acordo, mas eles continuam nos enrolando, continuam nos fazendo de trouxas", disse Trump a jornalistas no Salão Oval.
O líder americano também escreveu nas redes sociais que Teerã estava demorando demais para negociar um acordo e advertiu que o país "terá de pagar o preço".
À 0h45 de quinta-feira (11) em Teerã (18h15 desta quarta em Brasília), os EUA anunciaram uma nova rodada de bombardeios contra o país persa. Foi a segunda noite consecutiva de ataques contra alvos em território iraniano, o amplia os questionamentos sobre a eficácia do frágil cessar-fogo em vigor.
Segundo as forças americanas, as ofensivas foram uma resposta à "agressão injustificada e contínua do Irã" —na véspera, os militares iranianos abateram um helicóptero militar e atacaram bases de Washington no Oriente Médio.
Antes dos novos ataques, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país permaneceria "firme diante de qualquer pressão ou ameaça". Disse ainda que "ameaças de atacar infraestruturas não são uma demonstração de força, mas um sinal de desespero".
Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que Washington está prejudicando o processo diplomático com "mensagens contraditórias" e "repetidas violações do cessar-fogo".
Ainda assim, as tratativas não parecem ter sido suspensas por completo. Segundo funcionários do governo narraram à agência de notícias Reuters, negociadores do Qatar viajaram a Teerã nesta quarta numa tentativa de finalizar as negociações após consultas com a Casa Branca.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter feito ataques contra uma base militar dos EUA na Jordânia e outros alvos no Golfo também nesta quarta, em retaliação aos ataques americanos da véspera nas proximidades do estreito de Hormuz.
Os confrontos voltaram a ocorrer um dia após Trump anunciar que o Irã havia derrubado um helicóptero próximo à via marítima. A ofensiva de retaliação iraniana, que atingiu alvos no Kuwait e no Bahrein, ocorreu depois que os militares dos EUA informaram na terça ter atacado defesas aéreas iranianas, estações de controle terrestre e radares de vigilância próximos ao estreito. Os alvos desta quarta, por sua vez, não foram especificados.
O Exército dos EUA descreve as ofensivas como uma "resposta proporcional" à derrubada do helicóptero. Os dois tripulantes da aeronave foram resgatados.
Na terça, os ataques dos EUA duraram cerca de quatro horas. Segundo um oficial americano, quase 20 alvos iranianos foram atingidos. A mídia estatal do Irã informou que a ilha de Qeshm e a cidade portuária de Sirik, ambas localizadas no estreito de Hormuz, foram visadas.
Explosões foram ouvidas na vizinha Bandar Abbas e, posteriormente, nas proximidades de Jask, perto da entrada do estreito, informou a mídia iraniana. A Guarda Revolucionária do Irã disse, em resposta, que atacou quatro locais na base americana de al-Azraq, na Jordânia, usando mísseis de longo alcance.
Os alvos incluíam hangares de caças F-35 e um centro de comando e controle. A Guarda Revolucionária também alertou que estava pronta para dar uma resposta "esmagadora e decisiva" a qualquer novo ataque dos EUA.
As Forças Armadas da Jordânia, por sua vez, anunciaram que interceptaram cinco mísseis lançados do Irã em direção a al-Azraq. No Kuwait, a base Ali Al Salem foi alvo de drones iranianos.
A Guarda Revolucionária também declarou ter atacado a Quinta Frota dos EUA, no Bahrein, com drones. E ameaçou adotar "respostas mais severas" caso as hostilidades continuem, segundo a mídia estatal.
Por Folhapress
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