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A Operação Sintonia de Gravata, que tem como objetivo desarticular um esquema que envolve facções com atuação no sistema prisional, cumpriu 21 mandados de prisão nesta sexta-feira (3), em seis cidades baianas. Entre os alvos estão nove advogados presos na ação e 12 detentos já custodiados (veja quem são os advogados abaixo).
A ação investiga a atuação de grupos criminosos envolvidos em tráfico de drogas, aquisição, circulação, posse e guarda de armas de fogo de facções, além da articulação entre integrantes custodiados e agentes em liberdade.
Também foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis, com diligências nos municípios de Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Feira de Santana, Serrinha e Barreiras.
Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos notebooks, celulares e documentos diversos que poderão contribuir para o aprofundamento das investigações e para a identificação da eventual participação de outros envolvidos.
Ainda conforme a SSP-BA, foi determinada a indisponibilidade de ativos financeiros dos investigados, até o limite mínimo de R$ 10 milhões, além do bloqueio de veículos, bens imóveis, embarcações e aeronaves dos investigados, com o objetivo de impedir a movimentação de recursos vinculados às atividades ilícitas.
Quem são os alvos da operação
A TV Bahia apurou que os advogados presos na ação atuam para diversas lideranças criminosas. Eles ainda não têm defesa constituída no processo. O g1 e a emissora também tentam localizar as defesas dos alvos já custodiados. Veja o que se sabe sobre os suspeitos:
- Maria Tereza Novaes Martins
Atuaria em favor de Victor de Freitas Silva, conhecido como "Da Jega", uma das lideranças da organização criminosa Comando Vermelho (CV), com atuação em Feira de Santana
- Izabela da Silva de Oliveira
Atuaria em favor de Averaldo Ferreira da Silva Filho, conhecido como "Averaldinho". Ele é integrante e uma das lideranças da organização criminosa Bonde do Maluco (BDM), com atuação principal na cidade de Salvador.
- Luan Mascarenhas de Souza
Atuaria em favor de Francisleno de Jesus Nunes. Os crimes pelos quais ele responde não foram detalhados.
- Icaro Cardoso Viana
Atuaria em favor de Gleidson Bomfim do Nascimento, Ademilton Mercês Alves e Délcio Douglas Silva Oliveira. Os crimes pelos quais eles respondem não foram detalhados.
- Luã Santos da Costa
Atuaria em favor de Leandro da Conceição Santos Fonseca, conhecido como Léo Gringo, uma das lideranças do BDM na Bahia, e de Wesley Willian Alves dos Santos. No caso desse último, não foram detalhados os crimes pelos quais ele responde.
Fernanda Oliveira Borges
Atuaria em favor de Marlos Araújo Souza Junior, conhecido como "Bolão, CRM, JR". Ele é vinculado à organização criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), com atuação principal em Senhor do Bonfim, no norte da Bahia.
- Tamires Felix Alves Silva
Atuaria em favor de Décio Douglas Silva Oliveira, conhecido como "Vaqueiro", uma das lideranças do BDM.
- Maria Mariana Batista de Oliveira
Atuaria em favor de Fabio Santana Oliveira, conhecido como "Panda" e apontado como um dos líderes do CV, com atuação principal na região de Capim Grosso; de José Lucas Silva Rocha, o "Índio", integrante do CV, com atuação na cidade de Eunápolis, no extremo sul; e Victor de Freitas Silva, o "Da Jega", um dos líderes da facção em Feira de Santana.
- Raiza da Silva
A equipe de reportagem tenta apurar a quem ela se dirigia.
Sofisticado esquema de comunicação clandestina
De acordo com os promotores de Justiça do Gaeco, as investigações identificaram a atuação de facções criminosas estruturadas e com atuação regional, responsáveis pela prática de tráfico ilícito de entorpecentes, circulação de armas de fogo e articulação entre grupos criminosos, com reflexos diretos na segurança pública baiana.
Ainda de acordo com os promotores, os elementos reunidos indicam que essas organizações mantinham um sofisticado esquema de comunicação clandestina que permitia a continuidade das atividades criminosas mesmo com lideranças custodiadas em unidade prisional de segurança máxima, por meio de um núcleo externo responsável por intermediar a transmissão de ordens entre integrantes presos e membros em liberdade.
A investigação também detalhou a atuação de advogados que, mediante
abuso das prerrogativas da classe, teriam burlado o isolamento e
incomunicabilidade com o meio externo imposto em presídio de segurança
máxima, para viabilizar a gestão de facções criminosas por suas
lideranças presas, que também foram alvos das medidas./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/q/W/qHnMTKR6KVkXJj3ofn2Q/whatsapp-image-2026-07-03-at-08.15.37.jpeg)
Mais de 20 pessoas são presas durante operação contra facções criminosas na BA — Foto: Divulgação/SSP e PC
Segundo as apurações, esses profissionais exerciam papel estratégico na transmissão de mensagens, na consolidação de decisões e no acompanhamento das atividades criminosas.
A SSP-BA ainda detalhou que o fluxo de comunicação permitia às lideranças das facções, mesmo presas, participar da gestão do tráfico de drogas, da comercialização de entorpecentes, da aquisição e circulação de armas de fogo, da movimentação de recursos financeiros e da resolução de conflitos internos, evidenciando uma estrutura organizada, hierarquizada e dividida por funções.
O grupo conseguiu contornar mecanismos de isolamento previstos no sistema prisional, mantendo ativa uma rede de transmissão de ordens que contribuiu para a continuidade das práticas criminosas e para o fortalecimento dessas organizações.
Mais de 100 profissionais participaram da ação, dentre eles promotores de Justiça, servidores e policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MP-BA, além de integrantes do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e Departamento de Polícia do Interior (Depin) da Polícia Civil da Bahia, Seap e SSP.
A Operação Sintonia de Gravata integra uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), do Ministério Público brasileiro, com o objetivo de intensificar o enfrentamento às facções criminosas em todo o país.
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