
Os candidatos registrados até o momento para disputar a Presidência da República em 2026 apresentaram declarações de patrimônio bastante diferentes à Justiça Eleitoral. Entre os valores informados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há desde R$ 33 mil até R$ 7,4 bilhões em bens e investimentos.
A maior declaração é a de Pablo Marçal, do PRTB, que registrou sua candidatura neste sábado (15) e informou possuir R$ 7.478.913.000 em patrimônio. A maior parte do valor, cerca de R$ 6,7 bilhões, está aplicada em renda fixa. O empresário também declarou um terreno em Santana de Parnaíba (SP) avaliado em R$ 490 milhões.
Apesar do valor bilionário declarado, Marçal está inelegível até 2032. Em 5 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou, por unanimidade, os embargos apresentados pela defesa e manteve a condenação que determinou sua inelegibilidade por oito anos por uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha de 2024. O registro da candidatura feito ontem ainda será analisado pela Justiça Eleitoral.
Entre os demais candidatos, Augusto Cury, do Avante, aparece com a segunda maior declaração, de R$ 242.281.162,52. O escritor e psiquiatra informou patrimônio formado principalmente por participações e créditos empresariais. Entre os valores apresentados estão R$ 121 milhões em empréstimo à Filadélfia Nature Participações, R$ 54 milhões em participações societárias e R$ 33 milhões em ações.
Cury construiu sua carreira principalmente como escritor e empresário. De acordo com a Editora Sextante, seus livros já venderam cerca de 30 milhões de exemplares.
Romeu Zema, do Novo, declarou R$ 178.707.610,09. O patrimônio do ex-governador de Minas Gerais está concentrado principalmente em negócios e investimentos. Empresário, Zema fez parte da administração do Grupo Zema, conglomerado familiar que atua nos setores de varejo, combustíveis, concessionárias e serviços financeiros.
Na declaração apresentada ao TSE, Zema informou cerca de R$ 94 milhões em participação em uma holding familiar. Também aparecem aproximadamente R$ 56,2 milhões em fundos de investimento e R$ 4,3 milhões em aplicações de renda fixa.
Ronaldo Caiado, do PSD, declarou R$ 52.557.930,98. A maior parcela dos bens está relacionada à atividade agropecuária. São R$ 36,21 milhões em imóveis rurais e outros R$ 10,49 milhões em animais de criação.
A venda de uma propriedade rural também contribuiu para o aumento do patrimônio informado pelo candidato. Segundo sua assessoria, a Fazenda Santa Maria, localizada em Nova Crixás (GO) e herdada por Caiado em 1985, foi vendida por R$ 27,6 milhões em novembro de 2025. A operação fez o patrimônio declarado por ele mais que dobrar em quatro anos.
Wilson Grassi, do Democrata, informou R$ 50 milhões em bens. Na sequência aparecem Flávio Bolsonaro (PL), com R$ 8.186.555,83, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com R$ 4.775.650,64.
A declaração de Flávio Bolsonaro inclui uma casa no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 6,2 milhões. O senador também informou cerca de R$ 1 milhão em fundo de investimento, além de dinheiro em contas bancárias e um veículo. A compra do imóvel já havia gerado questionamentos anteriormente. Na ocasião, Flávio afirmou que pagaria pela propriedade com rendimentos obtidos como senador, advogado e empresário.
Lula, por sua vez, declarou R$ 4,78 milhões, entre bens e aplicações financeiras acumulados durante sua trajetória política e profissional.
Os demais candidatos que já apresentaram declaração ao TSE são Clariana Barão (DC), com R$ 1.820.760,17; Renan Santos (Missão), com R$ 795.089; Edmilson Costa (PCB), com R$ 454.485,68; e Samara Martins (UP), com R$ 33 mil.
Dois candidatos não declararam bens
Já Hertz Dias, do PSTU, e Rui Costa Pimenta, do PCO, não declararam bens à Justiça Eleitoral.
No caso de Rui Costa Pimenta, a ausência de patrimônio declarado ocorre enquanto ele é investigado pela Polícia Federal. O presidente do PCO foi alvo, nesta semana, da Operação Causa Própria, que apura possíveis irregularidades na utilização de recursos dos fundos partidário e eleitoral.
A investigação envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis desvios e repasses de recursos públicos para pessoas e empresas ligadas ao partido. Segundo a PF, algumas dessas empresas poderiam não ter capacidade operacional compatível com os valores recebidos.
Pimenta nega as irregularidades e classificou a operação como perseguição política. O PCO também declarou que os contratos investigados são legais e que os serviços contratados foram efetivamente realizados. As suspeitas ainda estão sob investigação.
A ausência de bens na declaração eleitoral não significa necessariamente que o candidato não possua patrimônio. No caso de Pimenta, o registro disponível no sistema DivulgaCandContas indica apenas que não houve bens informados na candidatura de 2026.
A declaração patrimonial é uma das informações exigidas no processo de registro de candidatura. Os dados ficam disponíveis para consulta pública no sistema DivulgaCandContas, mantido pelo TSE.
Fonte:Correio
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