Advogada baiana é morta a facadas em Portugal

Já passavam das 22h30 quando as sirenes da polícia portuguesa tomaram conta de uma rua de casarões históricos de Lisboa. No segundo andar de um apartamento na Rua dos Prazeres, uma advogada baiana de 45 anos havia sido assassinada a facadas. Era Thaíse Ramos Bacelar, atacada por um panamenho de 29 anos, que também morava no imóvel.

O assassinato aconteceu no último dia 5, na Freguesia da Misericórdia. A advogada e o suspeito conviviam no imóvel, onde alugavam quartos individuais, uma prática que se tornou comum, mesmo entre estranhos, após os aluguéis dispararem em Lisboa. Quando os agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) chegaram, encontraram a porta do apartamento entreaberta e o suspeito, ensanguentado, na sala. Na cozinha estava a vítima, caída no chão, coberta de sangue, com perfurações no rosto e no pescoço. Os policiais acionaram os meios de socorro, mas a equipe médica apenas pôde confirmar o óbito. 

O panamenho foi preso em flagrante. Em depoimento à PSP, segundo a imprensa local, ele confessou o crime. Aos investigadores, contou que o homicídio ocorreu na sequência de uma discussão relacionada com problemas de convivência nas áreas comuns do apartamento e alegou que havia “perdido a cabeça”. O suspeito falaria cinco idiomas e seria de uma família rica do Panamá. 

A polícia já havia sido acionada anteriormente para o mesmo endereço por causa de conflitos entre Thaíse e o suspeito. Vizinhos ouvidos pelas autoridades relataram que os desentendimentos começavam por motivos considerados fúteis, mas depois ganhavam proporções maiores. Em algumas ocasiões, as brigas teriam começado porque o homem pegava na geladeira alimentos comprados pela advogada.

Após o crime, o corpo de Thaíse foi liberado e trazido para a capital baiana, onde ela foi sepultada no Cemitério Bosque da Paz, em Nova Brasília, no dia 19.

Natural de Salvador, Thaíse vivia em Portugal havia cerca de três anos e atuava como advogada. Entre seus clientes estava o governo português. Ela também fazia mestrado com o objetivo de lecionar em Lisboa.

A investigação conduzida pelas autoridades portuguesas deverá esclarecer as circunstâncias da discussão e o que teria levado o suspeito a atacar a advogada. Thaíse não era casada e não tinha filhos.

Mata-leão

Ainda em agosto, outra brasileira foi assassinada em Portugal durante uma discussão. Desta vez, o autor do crime foi o próprio filho da vítima, um adolescente de 15 anos. Gabriela Barbosa, de 33, foi morta no último dia 12, dentro do apartamento onde morava, em Oeiras.

Segundo as informações locais, o adolescente teria aplicado um mata-leão na mãe, provocando sua morte por sufocamento. Ele vivia com Gabriela e a irmã, de quatro anos, e teria passado o dia seguinte ao crime dentro do imóvel com o corpo da vítima. Depois, se entregou às autoridades.

O pai do adolescente está preso por violência doméstica. Antes do assassinato, o jovem já havia denunciado a própria mãe por agressões. O caso era acompanhado pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Portugal.

O adolescente passou por audiência judicial e recebeu medidas tutelares. Por ter 15 anos, ele não responde criminalmente pelo assassinato nos mesmos moldes de um adulto.

Natural de Osasco, na Grande São Paulo, Gabriela havia se mudado para Portugal em 2024 com o marido e os dois filhos.  

Correio