
Conversas de abril de 2024 interceptadas pela Polícia Federal (PF) revelam que o então cunhado do ministro Gilmar Mendes, o empresário Chiquinho Feitosa, aconselhou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a se aproximar do magistrado, sob a alegação de que seria “importante para o futuro”.
“Você tem que começar uma relação direta com ele! É importante para o futuro! Ele é um grande sujeito com grande caráter e um grande amigo”, escreveu Feitosa para Vorcaro em 19 de abril de 2024.
Segundo a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, Feitosa, que é ex-senador, ex-deputado federal e presidente do Republicanos no Ceará, mantinha um contrato de consultoria e atuava como ponte entre Vorcaro e o magistrado. Ele se referia a Vorcaro como “irmão” e “grande amigo”. No mesmo período, o empresário também intermediou reuniões entre o banqueiro e sua irmã, a advogada Guiomar Mendes.
A advogada confirmou ter recebido Vorcaro no escritório junto com o irmão, que disse que o banqueiro tinha interesse em contratá-la. No entanto, segundo ela, na reunião Vorcaro não apresentou nenhum processo específico. “Eu pedi que mandasse as causas que iria avaliar, mas ressaltei que não prometia resultado. Ele disse que ia mandar, mas não mandou e não voltou mais”, afirmou Guiomar.
Ele revelou ao O Globo que teve um contrato de “curto período” com a Super Empreendimentos, empresa ligada ao Master, mas não esclareceu o período de vigência nem o valor.
Vorcaro tinha interesse em se aproximar de instâncias do Poder Judiciário por causa de um julgamento no STF sobre precatórios do setor sucroalcooleiro, caso da usina Alcídia. Os precatórios representavam cerca de 47% da carteira do Banco Master. Em meio a movimentações e pedidos de destaque feitos por Gilmar Mendes no processo, Vorcaro temia desdobramentos contrários aos seus interesses financeiros.
O caso Alcídia foi concluído na Suprema Corte em outubro de 2024 com a vitória da usina por 3 a 2. Gilmar Mendes e André Mendonça votaram contra os interesses de Vorcaro. Os ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques votaram a favor.
A PF apurou se a posição favorável de determinados magistrados no caso da usina envolveu contrapartidas financeiras ligadas ao grupo Master. Os relatórios apontam suspeitas na compra de participação em um empreendimento hoteleiro até repasses mensais a familiares de ministros, além da articulação de Vorcaro com parlamentares em matérias legislativas.
Fonte:BNEWS
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