Kassio Nunes Marques (2047)

O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou Gilmar Mendes no WhatsApp após uma discussão sobre julgamentos relacionados ao Banco Master. O desentendimento ocorreu na terça-feira (8) e aumentou a tensão entre os integrantes da Segunda Turma da Corte.

A troca de mensagens começou depois que Nunes Marques votou para manter a decisão de André Mendonça que afastava Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. O voto foi registrado menos de cinco minutos após o de Luiz Fux e formou maioria no colegiado.

Os dois posicionamentos foram incluídos no sistema do STF pouco depois de Gilmar pedir vista, medida que adiou a conclusão do julgamento. O decano interpretou a movimentação como articulada e enviou uma mensagem a Nunes Marques para questioná-lo.

A discussão também envolveu referências a familiares dos ministros encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, segundo informação da CNN.

Durante a conversa, Gilmar acusou colegas de agirem de forma submissa a André Mendonça e cobrou a divulgação de informações bancárias.

“Assumam q estao ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu Gilmar.

Nunes Marques pediu respeito e afirmou que a abordagem não era adequada. O decano respondeu que não respeitava quem não se dava ao respeito, defendeu que Marques e Fux deixassem o julgamento e sugeriu ainda que o ministro saísse do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que preside.

“Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”, respondeu Nunes Marques, antes de bloquear o colega.

Gilmar voltou a defender que o ministro desse transparência às próprias contas antes de participar de processos relacionados ao Banco Master na Segunda Turma. Marques respondeu: “Abro com o maior prazer . Há 15 anos que presto contas de tudo. Como juiz”.

Investigação contra Moraes elevou tensão

A relação se deteriorou ainda mais durante a análise sobre a continuidade de uma investigação contra Alexandre de Moraes. Nos bastidores, Nunes Marques havia sinalizado que poderia votar pelo prosseguimento da apuração, o que irritou pessoas próximas a Moraes, entre elas Gilmar.

Nesta terça-feira (15), porém, Marques declarou-se impedido de participar da análise. Ele alegou que, por ocupar a Presidência do TSE, pretendia evitar a contaminação política do episódio.

Mensagens extraídas do celular de Vorcaro e divulgadas pela CNN mencionam pagamentos que seriam destinados a Kevin Marques, filho de Nunes Marques. O material completo foi disponibilizado aos gabinetes de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.

Em uma conversa com Vorcaro, Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, cita pagamentos mensais de R$ 500 mil para Kevin. Procurada, a assessoria dele não havia respondido.

Durante sessão do STF, Nunes Marques negou que o filho tenha prestado serviços ao Banco Master. O ministro também afirmou que “nunca” trocou mensagens com Vorcaro.